O presidente Juan Manuel Santos comentou pela primeira vez, nesta terça-feira, as revelações de que "recursos não registrados" financiaram sua campanha à Presidência da Colômbia em 2010.

"Eu não autorizei nem tive conhecimento desses atos, que foram feitos em direta violação às normas éticas e de controle que exigi durante a minha campanha", disse o mandatário em um vídeo publicado na sua conta no Twitter.

Santos pediu desculpas, qualificando o caso de "vergonhoso". Além disso, afirmou que "nunca deveria ter acontecido" e que tinha acabado de se inteirar do assunto.

Ele pediu a todos os envolvidos que esclareçam o mais rápido a atuação inaceitável. "Essa violação das regras da campanha não significa, nem pode levar à conclusão de que é fruto de atos de corrupção de meu governo", diz Santos no vídeo, que dura cerca de 1 minutos

O líder colombiano também pediu às autoridades que investiguem os atos de sua administração e puna os responsáveis ​​por qualquer ato de corrupção.

Em entrevista com a Blu Rradio, Roberto Prieto, que foi o diretor da campanha de Santos à Presidência em 2010, confirmou que a multinacional Odebrecht financiou a compra de alguns alguns cartazes para a campanha, mas não esclareceu se Santos tinha conhecimento do caso.

"Não é normal, e se você me disser que é 'ilegal' também não vou negar", disse Prieto à emissora, reconhecendo que o recebimento de recursos da Odebrecht - envolvida em um escândalo na região por subornar diversos governos para assegurar contratos milionários no setor de infraestrutura - foi uma operação irregular. "Foi uma campanha irregular na qual o presidente [Santos] não teve nenhum envolvimento", disse Prieto.

"Não ficamos sabendo"

Em um comunicado, Orlando Sardi, que foi o diretor financeiro da campanha de Santos à presidência em 2010, disse sobre a compra de cartazes pagos com dinheiro da Odebrecht: "Não ficamos sabendo, nem o diretor, nem o comitê financeiro e absolutamente sem o conhecimento do então candidato Juan Manuel Santos".

Ele confirmou que ocorreu uma reunião no início de 2010 da qual participaram representantes da campanha de Santos com Luis Bueno, diretor da Odebrecht na Colômbia, "com o objetivo de obter verbas para a campanha e os partidos se os doadores forrem pessoas físicas ou jurídicas", mas ressaltou que, após explicar as normas eleitorais vigentes e que o candidato só poderia receber doações de pessoas físicas, teve fim a reunião. "Não entramos em contato novamente com a empresa porque ela também nunca manifestou o desejo de contribuir com o partido", afirmou.

De acordo com investigações preliminares, a empreiteira brasileira Odebrecht teria pago US$ 400 mil para uma empresa colombiana imprimir dois milhões de cartazes de Santos em 2010 sem qualquer registro contábil da operação.

O Ministério Público da Colômbia também investiga o pagamento de propinas milionárias pela Odebrecht a políticos que teriam favorecido a empresa na disputa por um contrato de construção de uma rodovia.

* Com informações da Reuters e El Espectador.