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Confiança no amanhã

Uma das regiões mais relevantes para a economia e política mundial, a América Latina engloba vinte países, com uma população de mais de 590 milhões de habitantes.

São nações que apresentam inúmeras diferenças, entre elas, culturais, geográficas, grande desigualdade social e forte concentração de renda. Apesar desse contexto diversificado, podemos encontrar nessa região um consenso entre os empresários latino-americanos com relação à melhoria e ao progresso dos respectivos países. Uma pesquisa da KPMG indicou que os CEOs estão mais confiantes numa perspectiva para os próximos 12 meses do que em três anos.

O levantamento indicou a percepção de 1.261 líderes empresariais de todo o mundo, sendo 271 dos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.

Inúmeros são os motivos que justificam essa visão. O acordo de paz na Colômbia, o possível entendimento dos argentinos com antigos aliados, as promessas positivas do novo governo peruano e o panorama otimista para os negócios no Brasil são fatores que estão impactando algumas das nações que fazem parte do bloco.

Soma-se a isso a inflação que impacta diretamente os negócios e faz com que os CEOs, em determinados países, fiquem menos otimistas com relação às perspectivas para três anos do que para os próximos 12 meses.  Vale ressaltar que, quando a inflação faz parte do cenário econômico, é muito mais difícil lidar com decisões a longo prazo.

 

Tais razões reafirmam um outro dado apresentado pela pesquisa: os entrevistados latino americanos acreditam que vão crescer mais, nos próximos três anos, do que a média global (89% contra 83%). Apesar desse otimismo, eles acham que o crescimento será mais modesto nas respectivas empresas do que nas companhias do restante do mundo. Mesmo assim, haverá um impacto nos postos de trabalho, já que cerca de dois terços dos CEOs latino-americanos entrevistados (62%) dizem esperar que seu quadro de colaboradores permaneça o mesmo nos próximos 12 meses, e a mesma proporção espera que esse número aumente até 5% nos próximos três anos.

O levantamento também mostra que, para atingir o crescimento desejado, os CEOs não esperam apenas os resultados advindos de influências externas. Eles acreditam que a qualificação profissional pode ser um dos principais drivers para os resultados positivos. Em comparação com a amostra global, os líderes latino-americanos têm maior probabilidade de estar focados no desenvolvimento profissional, já que 72% estiveram em um curso ou estudo para uma qualificação que o desafiasse, em comparação aos 68% os entrevistados globais. Mais de 70% deles também disseram que estão relativamente abertos para novas influências e colaboração. Além disso, apenas 28% dos participantes concordam que a inteligência emocional é tão importante quanto as habilidades técnicas – globalmente, 45% concordam com tal afirmação.

Ressaltamos que as características das organizações da região acabam por estimular esse tipo de atitude. É fato que ainda existem negócios tradicionais que geram muita receita, mas os CEOs estão percebendo que as mudanças estão chegando cada vez mais rápido e com maior impacto. Por isso, é preciso estar preparado para o digital, para a disrupção, sem esquecer que a principal fonte de lucro depende muito dos negócios tradicionais.

Nesse cenário, podemos dizer que os presidentes das empresas entrevistados perceberam a fundamental necessidade de cultivar a capacidade de avaliar quando a companhia deverá fazer essa transição na qual as habilidades técnicas estão gradualmente sendo substituídas por máquinas. Em suma, a motivação e a liderança se tornarão as bases das competências do CEO.

Outro ponto de destaque é o foco no cliente se estabelecendo cada vez mais. As empresas estão começando a desenvolver modelos que incluem aplicativos para celulares, mídia social e outros meios de publicidade não tradicional para se comunicar com o cliente. Diante disso, usar dados e análises para melhor compreender as necessidades e padrões de consumo, a entrada no mundo digital e as preocupações com os impactos ambientais já fazem parte da agenda dos líderes, que precisam estar preparados para lidar com essas questões.

O otimismo e a confiança no crescimento são sentimentos adequados para os CEOs da América Latina e refletem as análises que os líderes estão fazendo do macroambiente que os cerca. Mas, o maior desafio agora é realmente saber como navegar entre aquilo que está saindo de cena e o que começa a surgir. A questão é: quando é o momento certo de realmente deixar algo de lado e começar algo novo?

Acesse o estudo completo em: https://home.kpmg.com/mx/es/home/tendencias/2017/06/perspectivas-de-los-ceos-de-america-latina-2017.html