No final de 2016, Rodrigo Barros recebeu um convite que o fez deixar a cidade alemã de Berlim, onde morava desde o ano anterior. A “provocação” partiu de Gustavo Henric Costa (PSB), mais conhecido como Guti, que vencera a eleição para a prefeitura de Guarulhos. Guti tinha apenas 31 anos ao assumir o cargo, tornando-se o mais jovem prefeito da história da cidade, a segunda mais populosa do estado de São Paulo, com mais de 1,3 milhão de habitantes.

O prefeito convidou o também jovem Barros para se tornar secretário municipal de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação. “A princípio recusei o convite, mas o Guti me questionou sobre coisas das quais falo com frequência, como a importância de deixar um legado. E agora, com essa oportunidade de construir um legado para a cidade em que nasci, eu não aceitaria o convite? Foi uma intimação”, afirma o secretário, de 36 anos.

Barros: "intimação" para trabalhar na gestão da cidade em que nasceu. Foto: Gregory Grigoragi

Antes de Berlim, onde viveu uma imersão no cenário tecnológico local, formado por pessoas de todos os continentes que buscam inovação, Barros passou por outras experiências como empreendedor. Sobre essa trajetória, falou na edição do AméricaEconomia Pocket Conference do dia 15 de maio, em São Paulo, com o tema Como a inovação pode transformar a vida das pessoas. O evento, com mediação de Tathiana Turbian, vice-presidente do Grupo Innsbruck – que publica AméricaEconomia –, tem apoio do Global Council of Sales Marketing (GCSM). 

“Morei também em Mountain View [Estados Unidos], cidade onde está localizada a sede do Google no Vale do Silício, entre os anos de 2013 e 2014. Lancei a ‘Hands on TV’, que no início era uma web TV e em 2014 passou a ser uma empresa de tecnologia. Durante praticamente quatro anos fiquei mergulhado num ecossistema de startups, inovação e empreendedorismo, até que recebi o convite para atuar na gestão pública”, afirmou. De acordo com o secretário, a experiência na lida com as questões públicas o fez adquirir uma visão muito mais holística sobre a sociedade em relação à sua visão anterior como empresário.

Projetos e livro

Entre os projetos em andamento na prefeitura do município está a construção de uma arena indoor multiuso com o propósito de abrigar eventos de esporte, cultura e lazer, com capacidade prevista entre 6 mil e 10 mil lugares. “Iniciamos um projeto exclusivo, mas tenho convicção de que essa ideia vai se espalhar pelo Brasil. A arena ficará a cinco quilômetros do aeroporto de Guarulhos, ou seja, terá localização privilegiada servindo a cidade, o estado, o país e também o mundo graças à facilidade de acesso”, destaca Barros.

A prefeitura vem utilizando o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), um processo relativamente novo no Brasil e que consiste num instrumento de planejamento de concessões em que a administração pública conduz um edital de chamamento público à iniciativa privada para que apresente projetos e estudos específicos que sirvam para a elaboração de um edital de licitação pública.

O projeto será remunerado em até 2,5% do investimento total. “O nosso chamamento é que as empresas possam se inscrever para participar do desenvolvimento de projetos. Imaginamos que esse investimento possa ser entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões, feito totalmente pela iniciativa privada”, explica o secretário.

À medida que fazia palestras pelo Brasil, Barros era demandado pelo público sobre a necessidade de escrever um livro em que pudesse reunir os detalhes de sua trajetória como empreendedor, e decidiu checar o potencial de venda perguntando aos espectadores quantos estariam dispostos a realizar a compra. Para seu espanto, um número cada vez maior de pessoas levantava as mãos a cada consulta. “Eu não tinha nem o nome do livro quando o coloquei à venda. Lancei um site para viabilizar as vendas e avisei as pessoas interessadas. Foi algo fantástico”, contou.

Na percepção do secretário, vivemos um momento muito interessante da sociedade e da economia que pode ser chamado de “economia do agradecimento” em que, quando o cliente se sente agradecido, não se importa em pagar. “O problema é que existem marcas que querem vender por algo que não entregam. Eu mergulhei neste projeto durante quatro meses e o livro Versão Beta aconteceu”, completa.