Não são tempos de bonança econômica. Os governos e as empresas ajustam seus orçamentos e os consumidores já não compram como há dez anos. Apesar disso, uma das poucas indústrias a ir contra a corrente é a armamentista. De acordo com a avaliação anual da venda mundial de armas publicada recentemente pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, Suécia (Sipri, na sigla em inglês), pela primeira vez desde 2011 as vendas das 100 principais companhias de armas do mundo aumentaram, totalizando US$ 374,8 bilhões em 2016, o que representa um incremento de 1,9% em relação a 2015. Isso equivale a vender mais de US$ 1 bilhão por dia em armamentos.

As empresas norte-americanas acumularam 57,9% do total faturado. São seguidas pelas companhias do Reino Unido (9,6%), da Rússia (7,1%) e da França. O relatório aponta que “as vendas das empresas estadunidenses – que ocupam seis dos dez primeiros lugares da lista – cresceram 4%, impulsionadas pelas operações militares fora do país, assim como pelas aquisições de grandes sistemas armamentistas por parte de outros países”.

De acordo com o estudo do Sipri, o aumento da venda de armas era esperado e ganhou força pela implementação de novos programas bélicos nacionais, operações militares em vários países e tensões regionais persistentes que levam a uma maior demanda. Além disso, também há compras para substituição de equipamentos mais antigos.

Um dado adicional: os principais fabricantes de armas vendem hoje 38% a mais do que em 2002, quando o Sipri começou a produzir o relatório.

Quais serão os resultados de 2017? Os fabricantes, assim como os vendedores, esfregam as mãos. A proposta de Donald Trump de aumentar o orçamento de defesa dos Estados Unidos, ao assumir o mandato, encontrou eco rapidamente na China, que ampliou o seu em 7%. Some-se a isso o fato de que a ameaça norte-coreana fez os gastos militares da Coreia do Sul crescerem em 20% no ano passado. Ao mesmo tempo, os conflitos no Oriente Médio não têm previsão de terminar. Com todos esses ingredientes, não será surpresa se o relatório referente a 2017 mostrar mais um ano próspero para essa indústria.