Reduzir a emissão de CO2 em quase dois terços com a introdução da iluminação LED inteligente. A propósito dessa afirmação, um relatório produzido pela Signify, empresa do segmento de iluminação anteriormente conhecida como Philips Lighting, em parceria com o World Council on City Data (WCCD), revelou que a cidade de Los Angeles fez uma economia de energia da ordem de 63% em 2016 com a implementação de um sistema inteligente de iluminação LED. Da mesma maneira, a Signify implantou tecnologias para a economia de energia na América Latina – como na ponte de Manaus, no Brasil, e na cidade de Buenos Aires (Argentina).

A companhia já instalou 29 milhões de pontos de luz conectados ao redor do mundo e planeja que todos os novos produtos LED sejam conectáveis até 2020. “O Brasil é, e não só para a Signify, de um potencial imensurável, mas de difícil realização. Creio que o dilema da maior parte das empresas seja: como e até quando se investe por aqui. Nossa presença no país é de longa data e sempre com vistas à expansão” diz Daniel Tatini, diretor-geral para o Brasil da Signify.

Atualmente, a empresa conta com uma unidade fabril em Varginha (MG) e registra um crescimento progressivo num cenário de crise. O foco da empresa na área de projetos se destina aos itens de uso profissional. “Podemos vender tanto para cidades inteiras como para um restaurante ou um shopping. Dez dos doze estádios da última Copa do Mundo foram iluminados pela Philips [atual Signify]”, explica Tatini, acrescentando que o os itens do mercado de projetos, projetores e luminárias são fabricados no Brasil.

Olhar local

Há também um grupo de desenvolvimento de produtos alocado na fábrica brasileira, onde grande parte das manufaturas importadas ou nacionais passa pelo crivo dos especialistas – 80% dos produtos são fabricados no Brasil e 20% correspondem aos artigos importados. “Esse é um diferencial significativo, especialmente quando comparamos com uma concorrência que apenas importa. Nossos produtos são desenhados e pensados para o mercado local”, acrescenta.

Tatini acredita que ainda há uma grande discussão que se relaciona às definições conceituais de cidade inteligente, que podem variar conforme o conhecimento individual. “Não acredito que qualquer especialista que venha apresentar a sua versão para o conceito de cidades inteligentes dirá que ela possa existir sem que tenha 100% dos pontos de iluminação controláveis”, afirma. E cidade inteligente é só aquela que possui iluminação controlável? A resposta é não. “Mas não há cidade inteligente que não disponha de iluminação controlável”, arremata. O diretor-geral revela que o maior projeto da companhia em termos globais foi realizado em Jacarta (Indonésia) com aproximadamente 130 mil pontos de iluminação regulados por uma plataforma de controle.

O Brasil, por sua vez, compara, é um dos países que adotam tecnologias de forma mais rápida. “A adoção do LED no Brasil é mais rápida do que nos Estados Unidos. A porcentagem de vendas desse produto aqui é maior”, diz. Para ele, a falta de regulamentação sobre a mudança de tecnologia durou muito tempo no país.

Inteligência conectada

“Conectividade é a grande base para as cidades inteligentes”: com essa afirmação, o diretor de tecnologia da Itron, Helder Bufarah, destaca que a principal aplicação tecnológica de conectividade está no segmento de iluminação pública. “É uma aplicação que geralmente se constitui em âncora para outras, justamente por sua ubiquidade e pela condição muito particular e favorável para a implantação do sistema de comunicação”, pontua. A propagação de sinal é facilitada pelos rádios (comunicação por rádio frequência) instalados nas luminárias em pontos altos.

Presente em mais de 100 países, a empresa de tecnologia norte-americana possui no Brasil uma fábrica de medidores de água no município paulista de Americana. Seu ramo de atuação se estende a prover soluções para os setores de energia (elétrica, gás e água), além do mercado de cidades inteligentes.

Daniel Tatini, diretor geral no Brasil da Signify. Foto: Divulgação

 

Em janeiro de 2018, a Itron adquiriu outra empresa do segmento tecnológico, a Silver Spring Networks, fornecedora de produtos de smart grid e especializada em plataformas de conectividade entre sensores e medidores com os centros de controle. “Juntas, as empresas possuem um faturamento superior a US$ 2 bilhões e mais de cem redes implantadas ao redor do mundo. Apenas no segmento de iluminação pública, são mais de três milhões de pontos gerenciados”, expõe Bufarah.

Em São Paulo, um projeto idealizado pela companhia de distribuição de energia elétrica Elektro em São Luiz do Paraitinga, em parceria com a Itron, abrange diversas ações como medição inteligente, geração distribuída, veículos elétricos e iluminação pública através da instalação de luminárias LED com sistemas de telegestão que agregam benefícios como menor geração de consumo e mitigação do impacto ambiental.

Helder Bufarah, diretor de tecnologia da Itron. Foto: Divulgação

 

Pelo mundo, a companhia mantém projetos como os desenvolvidos em Paris (França), onde as lâmpadas não foram trocadas por LED, mas não foi preciso trocar as luminárias para que houvesse uma gestão sobre elas. “Em Copenhague (Dinamarca), foram trocados 20 mil pontos de iluminação pública por LED. A cidade está um passo adiante devido à integração efetiva entre as funcionalidades”, conta Bufarah, explicando que há sistemas de iluminação dinâmica em cruzamentos em função de tráfego de ciclistas. “À noite, quando o ciclista chega a um cruzamento perigoso, a presença da bicicleta é detectada através de câmeras e a iluminação no cruzamento é aumentada para que os motoristas de automóveis consigam visualizar o ciclista na via”.

Para o diretor de tecnologia da Itron, Brasil, Chile, Colômbia e México são os mercados mais relevantes na América Latina para os negócios da companhia. As oportunidades de negócios, entretanto, muitas vezes podem surgir de maneira inesperada, já que a demanda pelas funcionalidades que compõem as cidades inteligentes tem se expandido de forma muito rápida. “Hoje temos em nosso radar esses países, mas de repente pode aparecer um projeto no Uruguai que pode fazer com que mudemos a nossa escala de prioridades”, explana Bufarah.