O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento do ministro do Trabalho, Helton Yomura, e a prisão de seu chefe de gabinete, Julio de Souza Bernardes, do superintendente da pasta no Rio de Janeiro, Adriano José Lima, e de Jonas Antunes de Lima, assessor do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP).

O ministro Yomura é apadrinhado político do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e de sua filha, Cristiane Brasil (PTB-RJ), que teve sua nomeação para o ministério anulada em fevereiro.

As medidas fazem parte da 3ª fase da Operação Registro Espúrio, deflagrada nesta quinta (5) pela Polícia Federal com o objetivo de combater uma organização criminosa que atuava na concessão fraudulenta de registros sindicais no Ministério do Trabalho.

Os policiais federais cumprem, desde cedo, dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária, em Brasília e no Rio de Janeiro. Os mandados foram expedidos pelo STF.

Grupo criminoso

“Além das buscas, a pedido da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, serão impostas aos investigados medidas cautelares consistentes em proibição de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com os demais investigados ou servidores da pasta, bem como a suspensão do exercício do cargo”, diz a nota da PF.

A PF diz ainda que a ação decorre de investigações e da coleta de material nas primeiras fases da Operação Registro Espúrio, que indicam para a participação de novos suspeitos e “apontam que importantes cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com pessoas comprometidas com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas praticadas na pasta”.

Caminhoneiros

Agentes da Polícia Federal estão, desde o início da manhã, no Anexo 4 da Câmara dos Deputados, onde cumprem mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado Marquezelli. O parlamentar é um dos investigados na terceira fase da Operação Registro Espúrio.

O deputado afirmou que não tem nada a temer e acha natural o trabalho da PF. “A investigação é natural. O Ministério do Trabalho hoje pertence ao PTB. A minha atuação no marco regulatório do transporte e na área do transporte tem muito sindicatos, e eu tenho um assessor que se relaciona com eles, é natural que se faça investigação na área de sindicatos dos caminhões. Ainda mais que nesta semana eu aprovei a anistia para os caminhoneiros que foram multados, então o trabalho é natural. Mas, nada a temer. Eu trabalho aqui há 28 anos, sou ficha limpa”, disse.

Marquezelli acredita que a ação contra ele foi motivada pelo fato de ser relator do projeto que anistia as multas aplicadas às transportadoras durante a greve dos caminhoneiros: “A informação que a delegada [da PF] deu para nós é que serão investigados todos os deputados do PTB, todos do PDT e do Solidariedade que, nos últimos dez anos, foram os três partidos que tiveram na sua mão a direção do Ministério do Trabalho”.