O trade marítimo-turístico esteve reunido nesta quarta (29) em Brasília no II Fórum CLIA Brasil, que discutiu o futuro, as oportunidades e os entraves no setor de cruzeiros no Brasil.

A oferta de leitos, de acordo com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, cresceu em 13% para a temporada deste ano, com previsão de crescimento de 15% em 2018/2019, com 499.569 mil leitos.

A presidente do Conselho da CLIA, Estela Farina, declarou: “Somos resistentes e persistentes. Acreditamos que Brasília é o lugar certo para debatermos mudanças reais para o desenvolvimento do nosso segmento. Estamos em contato direto com autoridades que podem colaborar conosco”.

A presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Teté Bezerra, que também participou da abertura do evento, reforçou a importância do setor de cruzeiros para o turismo nacional. “Temos um grande potencial, principalmente com a vinda de navios com rotas internacionais, o que deverá ampliar o desembarque de turistas estrangeiros no Brasil”, afirmou.

O ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, ressaltou a necessidade de mudanças estruturais para o desenvolvimento do setor no Brasil. “Que tipo de ambiente está impedindo investimentos aqui? Essa é nossa questão central. Devemos solucionar nossos problemas com reformas, e tudo isso passa pela questão da produtividade”, indicou.

Os cruzeiros marítimos têm grande potencial no turismo e na economia do Brasil. Seu impacto na última temporada foi de mais de R$ 1,792 bilhão, com o embarque de 418 mil passageiros.

A CLIA Brasil, organizadora do evento, que integra a Cruise Lines International Association, reforçou que o evento teve objetivo de debater e melhorar o setor de navios de cruzeiros, abrir portas para os destinos, fortalecer o turismo e ter uma parceria de sucesso com o país e com as comunidades para a geração de emprego e renda.

Otimismo

O Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil foi apresentado durante o evento e trouxe dados inéditos da temporada 2017/2018 no Brasil e no mundo.

Os gastos dos cruzeiristas e tripulantes foi 11,5% maior em comparação ao período 2016/2017, o que significa um aumento de R$ 185 milhões. 

Desse total, R$ 827 milhões foram gerados pelos gastos das armadoras com combustíveis, taxas portuárias e impostos, compras de suprimentos, comissionamento de agências de viagens e operadoras, água e lixo, salários pagos, além de custos com marketing e escritório, entre outros.

Os gastos totais de cruzeiristas e tripulantes nas cidades e portos de embarque/desembarque e trânsito, que incluem compras de passeios turísticos, souvenires, alimentos e bebidas e traslados durante, antes e/ou após a viagem, foram de R$ 965 milhões.

“Estamos retomando um leve ritmo de crescimento”, disse Marco Ferraz, o principal executivo da CLIA no Brasil. “Se estivéssemos com o mesmo número de crescimento da temporada 2010/2011, o impacto já poderia ter ultrapassado R$ 4 bilhões”, salientou.

O viajante brasileiro gastou, em média, R$ 2.214,00 com a compra de um cruzeiro marítimo, e o tempo médio da viagem foi de 5,9 dias. O estudo mostra também que o impacto econômico médio gerado por cada cruzeirista nas cidades de escala foi de R$ 515. Entre os viajantes, 51,7% o fizeram pela primeira vez.

O número de embarques aumentou em quase 17%, mesmo com igual número de navios, o que pode ser explicado pelo aumento da eficiência das embarcações e roteiros. Foram gerados 27.748 postos de trabalho na economia do país. Do total de empregos criados pelo segmento, 2.014 foram de tripulantes dos navios e os demais 25,7 mil de forma direta, indireta e induzida pelos gastos dos turistas nas cidades portuárias de embarque/desembarque, além dos gerados na cadeia produtiva de apoio ao setor.

Dos viajantes, 90,9% são residentes no Brasil. Dentre os estrangeiros (9,1%), destaca-se a Argentina, com 55% dos pesquisados. 86,2% dos pesquisados disseram que desejam realizar uma nova viagem de cruzeiro, e 58,1% deles citaram o Litoral Nordeste, e 37,7% dos cruzeiristas indicaram o Caribe como escolha no exterior. 

Diversificação

No mundo, o setor de cruzeiros continua crescendo ano a ano. Esse acréscimo é impulsionado, principalmente, pelo aumento e diversificação dos cruzeiros. Até 2026, 100 novas embarcações entrarão em operação, trazendo mais 250 mil leitos.

A CLIA destaca que, em 2017, o número total de cruzeiristas foi de 26,7 milhões. A procura por essas viagens aumentou 21% de 2011 a 2016. 

Outros dados relacionados a características de cruzeiros marítimos apontam resultados favoráveis em diversos quesitos que também funcionam como indicativos de atração e preferência.

No Relatório sobre Incidentes Operacionais, 2009-2017, encomendado pela CLIA, o estudo sobre uma ampla gama de incidentes operacionais a bordo – incluindo passageiros e tripulação indo ao mar – mostra uma média de 18,2 incidentes ao mar por ano envolvendo passageiros e tripulação no período entre 2009 e 2017. Os passageiros anuais em cruzeiros cresceram de 17,8 milhões para 26,7 milhões durante o mesmo período. Os incidentes, portanto,  representam um total mínimo na relação com os milhões de viajantes que navegam a cada ano.