Um dos dados mais significativos da edição deste ano do ranking dos melhores hospitais e clínicas da América Latina é que nenhuma instituição perdeu pontos em relação ao ano anterior. Todos sobem, o que indica que estão melhorando em algum aspecto da medição.

O impacto disso, em termos globais no ranking, é que as diferenças de posição são produzidas entre os hospitais que avançam de forma mais rápida ou mais lenta. Mais significativo ainda é observar os fenômenos relativos a um conjunto que não para de melhorar.

O avanço mais palpável é o salto na infraestrutura física das instituições. Levando em consideração apenas os 30 hospitais que têm estado presentes nos últimos cinco rankings, seu crescimento é de 31% na área construída em metros quadrados. Foram erguidos novos pavilhões, alas de recuperação de pacientes e quartos individuais. É um incremento percentualmente maior do que o do número de egressos, que subiu 6% nos últimos cinco anos.

O caso mais destacado é o da Fundação Cardiovascular da Colômbia, que passou dos 15.116 metros quadrados reportados em 2014 para os atuais 101.789 metros quadrados. É um crescimento de 573% em cinco anos, resultado da ampliação das alas destinadas a adultos e crianças, à especialidade de ginecologia e obstetrícia e aos serviços de cirurgia, consultas e terapias. Isso se traduziu em maior capacidade de atendimento, com o que o hospital aumentou em 108% o número de egressos e em 107% o total de cirurgias realizadas.

Paralelamente ao crescimento físico, a busca pelo conhecimento também aumenta. Os 30 hospitais, em 2014, relataram um total de 513 papers anuais na base de dados Institute for Scientific Information (ISI), enquanto neste ano publicaram 1.316 – um aumento de 156%. Para Diego Duque, diretor do Hospital Universitário de San Vicente Fundación, de Medellín, Colômbia, “boa parte das capacidades atuais de desenvolvimento mais complexo dos hospitais se deve ao histórico fortalecimento das unidades de pesquisa e conhecimento”.

 

Um indicador de complexidade clínica muito relevante é a capacidade de realizar transplantes – e eles vêm subindo constantemente nos últimos cinco anos. No ranking de 2014, os 30 hospitais realizaram 6.878 transplantes no triênio 2011-2013, enquanto que no período observado para o ranking de 2018 esse número saltou para 10.896. Os aumentos mais significativos são observados em procedimentos muito complexos, como de medula óssea, rim e fígado.

Experiência do paciente

A evolução dos hospitais e clínicas participantes é notada também no esforço para melhorar a experiência do paciente. Criar um ambiente acolhedor e humanizar o atendimento médico é o modelo que os principais hospitais latino-americanos têm adotado para oferecer melhores serviços a seus pacientes, mesmo que essas iniciativas possam redundar em maior custo financeiro.

A mudança mais destacada é o aumento de 57% na quantidade de quartos individuais, que passaram de 4.109 a 5.227 em cinco anos, somando-se os 30 hospitais. É um dado condizente com a capacidade de pessoal, que no mesmo período subiu de 13 mil para 17 mil médicos de tempo integral a cada mil egressos. Da mesma forma, a quantidade de profissionais de enfermagem (de nível superior e técnico) por leito aumentou de dois para três.

Outra maneira de buscar uma melhor experiência do paciente e conseguir sua aderência ao tratamento é cuidando de sua saúde emocional. Neste ranking, esse esforço é observado principalmente por meio das facilidades que as instituições têm oferecido para que as famílias tenham acesso aos pacientes. Desde 2014, a média diária de horas de visita aumentou de 13 para 16 horas. Tanto os 30 hospitais observados para este texto quanto os 58 que compõem o ranking providenciaram espaços privados para comunicar às famílias decisões delicadas ou resultados clínicos desfavoráveis.

Novos na lista

O ranking também cresce. Somente neste ano, dez novos hospitais cumpriram os requisitos para se enquadrar entre os melhores da região. A maior parte é do Brasil: Beneficência Portuguesa (BP) Mirante, Pró Cardíaco, Samaritano Botafogo e Hospital Brasília. Do México chega o Zambrano Hellión Tec Salud; da Nicarágua, o Vivian Pellas; e da Colômbia, o Hospital Universitário Infantil de San José, a Clínica Las Vegas e o Centro Policlínico Olaya. E pela primeira vez ingressa no ranking um representante do Paraguai, o Sanatório La Costa.

Depois de uma ausência por alguns anos, regressam à listagem o Hospital Metropolitano do Equador, a Clínica Universitária Colômbia, a Clínica Cardio Vid, da Colômbia, e o Hospital 9 de Julho, do Brasil.

 

 

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Assim fizemos o Ranking de Hospitais e Clínicas 2018

Quais hospitais participam e podem participar?

Qualquer hospital ou clínica de alta complexidade da América Latina que preste serviços múltiplos numa ampla gama de especialidades médicas e que tenha sido mencionado como referência pelos ministérios da Saúde, ou outras fontes pertinentes, dos seguintes países: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Cuba, Equador, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela. Podem ser instituições públicas, privadas ou universitárias. No caso do Paraguai, foi convidado o Sanatório La Costa para prospectar a inclusão do país no ranking. Foram convidadas mais de 200 instituições dos países mencionados.

Quais hospitais participaram?

Em primeiro lugar, o conjunto de hospitais e clínicas que enviaram grande quantidade de dados relevantes por meio de um questionário que levanta informações-chave relativas a sete dimensões da qualidade hospitalar, além de um conjunto de documentos que avaliam as informações. Em segundo lugar, o grupo de hospitais que obtiveram uma cifra superior a 50 pontos no indicador final, o que explica a presença de 58 instituições no ranking deste ano.

O que o ranking mede?

Segurança e Dignidade do Paciente (23,5%), ou seja, indicador de processos e resultados que permitam minimizar riscos hospitalares, além da transparência. Capital Humano (23,5%), que considera a análise do corpo médico e de enfermagem e a administração hospitalar. Capacidade (20%), ou seja, indicadores de quantidade de egressos, leitos, especialidades e subespecialidades médicas, exames de laboratório, cirurgias etc., além de investimentos. Gestão do Conhecimento (10%), ou seja, indicadores que permitam medir a capacidade de gerar, obter e difundir a vanguarda do saber médico na instituição. Eficiência (8%), que considera variáveis de eficiência médica, como taxa de ocupação de leitos e salas de cirurgia, eficiência financeira (balanços) e os mecanismos de gestão da qualidade. Prestígio (10%), que considera, por meio de enquete, a opinião dos médicos dos hospitais participantes e dos leitores de AméricaEconomia cadastrados no portal da edição internacional da revista, além de marcos, prêmios e alianças estratégicas obtidas pela instituição. Finalmente, a dimensão Dignidade e Experiência do Paciente (5%), que analisa indicadores como o comitê de ética dos hospitais, a sua constituição, a participação neles dos pacientes e familiares, os protocolos de responsabilidade médica na atenção dos pacientes e a conformidade com as diretrizes de experiência do paciente que analisa os comitês, suas práticas e seu desenvolvimento em termos comunicacionais, tecnológicos e educativos.