O presidente do Banco Central da Argentina, Luis Caputo, renunciou ao cargo nesta terça (25). De acordo com nota do Bnaco Central, a decisão se deve “a motivos pessoais”.

A renúncia ocorre no dia em que as principais centrais sindicais do país realizam a quarta greve geral contra o presidente Mauricio Macri, que discursará na 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Caputo será substituído pelo economista Guido Sandleris, que desde meados deste ano é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Sandleris é professor universitário e já trabalhou como docente ou pesquisador visitante em universidades de vários países, inclusive na PUC do Rio de Janeiro.

Paralisação

As principais centrais sindicais da Argentina realizam nesta terça a quarta greve geral contra o presidente Mauricio Macri.

O presidente argentino aproveitou a viagem aos Estados Unidos para assegurar aos mercados que conseguirá renegociar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fechado em junho, e que não há risco de o país decretar moratória da dívida externa, como em 2001.

 A greve – que paralisa transportes públicos, aeroportos e bancos – foi convocada contra as medidas de ajuste econômico que o presidente se viu obrigado a adotar para obter uma linha de crédito de US$ 50 bilhões do FMI.

Desse total, US$ 15 bilhões já foram utilizados para conter a corrida cambial de maio. O resto seria liberado a cada três meses, sempre e quando a Argentina cumprisse as metas acordadas – e que agora estão sendo revistas.

O ministro da Economia argentino, Nicolas Dujovne, prometeu zerar o déficit público no próximo ano em troca da antecipação dos desembolsos previstos para 2020 e 2021.

O pedido de renegociação foi feito depois de a Argentina sofrer uma segunda corrida cambial em agosto, que o governo atribuiu à desconfiança dos mercados na capacidade de honrar seus compromissos em 2019.

Protesto

Milhares de representantes de movimentos sociais, partidos de oposição e da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) marcharam nesta segunda (24) até a Praça de Maio, no centro da capital, Buenos Aires.

“Vamos mostrar ao mundo a foto de um país que diz não. Não ao FMI.  Não ao orçamento do FMI. E não às demissões”, disse o deputado e líder da CTA, Hugo Yasky, no ato de encerramento da manifestação, em frente ao palácio presidencial. Os manifestantes prometeram ocupar as ruas até convencer o governo a voltar atrás. 

O governo depende do Congresso, onde não tem maioria, para aprovar o orçamento de 2019, que prevê cortes nos gastos públicos – justamente em ano de eleição presidencial.

Macri disse que é candidato a um segundo mandato e que não mudará o rumo da política econômica, apesar de estar pagando um alto preço político. Desde o início do ano, o peso argentino perdeu metade de seu valor, a inflação prevista para 2018 é de 42% e o país está em recessão.

O governo argentino atribuiu a crise a fatores que escapam do seu controle, entre eles a pior seca em 50 anos e a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas, segundo Macri, o pior já passou e a economia deve voltar a crescer no segundo semestre.

O ministro da Produção, Dante Sica, considera a greve geral “inoportuna” e disse que o governo continuará negociando com a oposição para obter um consenso.