Como forma de se apresentar oficialmente ao mercado, a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) promoveu, no dia 19 de setembro, no auditório da Totvs, em São Paulo, o 1º Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas. Na ocasião, a entidade apresentou a pesquisa de perdas que reuniu as maiores empresas varejistas separadas em 11 segmentos, um recorde histórico de participação.

O estudo aponta um índice médio de perdas de 1,29%, que representa R$ 19,5 bilhões da receita do setor em 2017, estimada em R$ 1,51 trilhão, valor que equivaleria ao faturamento da sexta maior empresa varejista do Brasil, atrás apenas de Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, Walmart, Via Varejo e Lojas Americanas.

A pesquisa desenvolvida pela Abrappe, com a consultoria EY, reúne dados do atacarejo, calçados, construção/lar, drogarias, eletro/móveis, esportes, livrarias/papelarias, magazines, moda, perfumaria e supermercados, que foram avaliados sob a coordenação de Carlos Eduardo Santos, presidente da associação formada por representantes de mais de 500 empresas varejistas. Os dados foram apurados junto a cem companhias, que compartilharam seus números, estratégias e visões sobre o tema.

Dos segmentos analisados, o de supermercados e o de livrarias/papelarias, com 1,94% e 1,46%, respectivamente, foram os únicos que registram índices de perdas acima da média nacional. O ranking dos top 6 ainda reúne o varejo de esportes (1,21%), moda (1,20%), drogarias (1,04%) e atacarejo (1,03%).

O varejo esportivo e o atacarejo, além de perfumaria, são os segmentos avaliados de maneira inédita no estudo. Até então, a pesquisa mais completa reunia apenas oito segmentos. “Observo um crescente avanço com relação ao uso das tecnologias em diversas áreas da indústria, e isso não poderia ser diferente quando falamos em gestão da perda. O uso das tecnologias disruptivas é o futuro para o combate das perdas e garante a diminuição dos índices de perdas na operação do varejo. Um ponto muito importante é como seus gestores lidarão com tais mudanças e como isso irá refletir na área de prevenção”, afirma Luciano Albertini, sócio líder de consultoria em governança, riscos e compliance da EY.

Em boa parte dos segmentos avaliados pela Abrappe, há um equilíbrio entre as perdas não identificadas (furtos, rupturas, erros de estoque etc.) e as quebras operacionais – produto vencido, dano causado pela manipulação etc.

Os desequilíbrios, com tendência para quebras operacionais, ocorreram nos atacarejos (0,72%), drogarias (0,61%) e supermercados (1,03%). As perdas não identificadas, por sua vez, predominam nas áreas de livrarias/papelarias (0,88%), magazines (0,43%), moda (0,90%) e perfumaria (0,35%).

Furtos

Quebras operacionais, com 35%, os furtos externos, com 24%, e os furtos internos, com 15%, são os principais fatores causadores das perdas. Somadas as duas modalidades, os furtos ocupariam a liderança da lista. Erros de inventários e erros administrativos, com 10% e 9%, respectivamente, compõem o ranking das cinco principais causas.

Em quebras operacionais, o vencimento dos produtos (24%) e itens danificados por clientes (18%) ou pelo manejo incorreto dos próprios funcionários (13%), além da deterioração/perecibilidade (16%), estão as principais causas das perdas.

“Em alguns segmentos do varejo brasileiro, a margem líquida é de 2%. Nesse contexto, perdas de 1,3% são muito significativas para a lucratividade de qualquer negócio”, argumenta o presidente da Abrappe.

Diante desse cenário, a Abrappe surge com o objetivo de contribuir com a redução das perdas e aumentar a rentabilidade do varejo e da indústria no Brasil. “As perdas, não importa de que tipo, são danosas para qualquer corporação, independentemente do seu tamanho. No dia a dia de qualquer gestor dessa área ou do negócio, o controle e a prevenção eficaz das perdas estão entre os maiores desafios. Por isso defendemos que os profissionais e o departamento de prevenção de perdas devam ser estratégicos em qualquer empresa”, diz Santos.

 A constituição da Abrappe foi definida em setembro de 2017, durante encontro entre dez profissionais de prevenção de perdas em São Paulo. Além da presença na capital, sedes regionais integram a associação por meio das unidades da Comissão de Prevenção de Perdas, Auditoria e Gerenciamento de Riscos (CPAR).

Apesar do maior investimento das empresas brasileiras em prevenção, as perdas gerais no varejo nacional, que na última década registram uma média de 2% do faturamento, são maiores do que as encontradas em países como Estados Unidos (1,27%), Alemanha (1,08%) e Japão (1,35%). Estudos revelam que, em todo o mundo, os varejistas perdem US$ 123,4 bilhões por ano.