A “nova Miami” chilena pode ser uma miragem que pouco a pouco começa a se diluir. Embora até pouco tempo atrás fosse comum escutar as expressões de satisfação dos turistas argentinos pelos preços convenientes enquanto carregavam sacolas repletas de artigos comprados em diferentes centros comerciais, hoje já se reduziu consideravelmente o número de viajantes que adquirem produtos no Chile, de acordo com um estudo elaborado pela GfK Consumer Choices. O relatório aponta queda na participação dos turistas na compra de smartphones, por exemplo – um dos produtos mais desejados por esse grupo de consumidores.

Em janeiro de 2015, 83,8% das vendas dos celulares em cidades como Antofogasta, Santiago, Valdivia e Puerto Varas, entre outras, eram realizadas para argentinos. No mesmo mês de 2017, a cifra caiu para 76,1%.

Outro cenário em queda é o da venda de smart TVs e notebooks, que caíram 6,7 e 6,4 pontos percentuais, respectivamente, para os turistas argentinos nos últimos dois anos nessas mesmas regiões. Essa diminuição nas vendas tem relação direta com a diferença menor de preço de alguns artigos na comparação com o que se via em temporadas anteriores. Entre janeiro e agosto do ano passado, adquirir um notebook na Argentina era 58% mais caro do que no Chile – mas no mesmo período de 2017 a diferença caiu para apenas 17%.

Pablo Vrdoljak, project manager da GfK Retail & Technology Chile, disse à reportagem que “em relação ao mercado argentino e à baixa dos preços, esse efeito provocará no médio prazo a diminuição do número de turistas argentinos em nosso país, já que perderão o incentivo de viajar para adquirir um dispositivo apenas 15% ou 20% mais barato, e considerando que, no retorno à Argentina, é exigido o pagamento de taxas alfandegárias de 50% do valor das compras acima de US$ 150”.