A defesa da privatização de empresas públicas foi uma das principais ênfases dadas por João Amoêdo, pré-candidato do Partido Novo à presidência da República, no evento Conversando com quem faz a diferença, promovido pelo Global Council of Sales Marketing (GCSM) e pelo Grupo Innsbruck, que publica AméricaEconomia, nesta quinta (10), em São Paulo.

“Lamento a ideia de que o Estado deva ser gestor de empresas. O Estado na verdade é péssimo gestor, até nas áreas essenciais onde deveria estar. Ele deveria focar sua atuação nas áreas de saúde, segurança e educação”, defendeu Amoêdo.

O evento foi realizado num novo formato. Ao longo de uma hora e meia, o pré-candidato respondeu a perguntas feitas por uma bancada de entrevistadores comandada por José Roberto Maluf, do Grupo Spring de Comunicação, e da qual participaram, entre outros, o jurista Ives Gandra Martins e Patrícia Iglecias, superintendente de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

Outra inovação foi o envio de perguntas feitas pelo público por meio da internet, com apresentação de Tathiana Turbian, vice-presidente do grupo Innsbruck. A mediação ficou a cargo de Agostinho Turbian, presidente do GCSM e publisher de AméricaEconomia.

“Liberdade econômica”

João Amoêdo, 55 anos, é engenheiro e fez carreira como executivo do mercado financeiro em empresas como Citibank, BBA e Unibanco. A decisão de ingressar na política se deu entre 2008 e 2009, a partir da ideia de que é preciso levar à área pública as experiências de gestão do setor privado.

“Precisamos de lideranças. Dificilmente vamos formar boas equipes se não tivermos bons líderes”, afirmou. Esse princípio será a base para a formação de seu ministério, caso eleito (“as indicações terão que ser de gente competente”, garantiu). Negociações para composição com partidos no Congresso terão limite e serão feitas a partir de ideias, princípios e valores. Amoêdo disse que pretende governar com dez a doze ministérios, fundindo por exemplo pastas como Educação e Cultura ou Agricultura e Meio Ambiente.

Questionado sobre o grave problema do déficit fiscal, disse que “criar riqueza passa por liberdade econômica”. O déficit só poderá ser combatido com o crescimento econômico, o que exigirá redução e simplificação da carga tributária, apontou.

Para Amoêdo, o Congresso Nacional precisa ser renovado a partir da “responsabilidade que tem que ser assumida por cada cidadão brasileiro” na hora do voto. O pré-candidato defendeu também que detentores de mandatos no Executivo e no Legislativo devem ter direito a uma reeleição para o mesmo cargo.

Em relação à educação, afirmou que é preciso destinar mais recursos ao ensino básico e fundamental e menos ao ensino superior. Para a saúde, disse que é preciso melhorar a gestão do sistema público e defendeu a ideia de que os cidadãos recebam recursos para escolher o plano de saúde que desejarem na rede privada.

Amoêdo foi questionado ainda sobre outros temas, como adoção de cotas sociais (declarou-se contrário); o programa Escola sem Partido (“não gosto da solução por esse sistema, porque a censura vinda do Estado é ruim”); a liberação do porte de arma (a favor, com processos de checagem dos interessados); descriminalização das drogas (no momento atual, contra: “prefiro acompanhar o que outros países estão fazendo e avaliar uma solução para implementar no Brasil”); e aborto (“como pessoa física, a favor nos casos previstos em lei; como gestor, é decisão que terá que vir da sociedade via Congresso Nacional”).

Fundo Partidário

O Partido Novo não utiliza o Fundo Partidário, formado a partir de dotações orçamentárias públicas destinadas às agremiações. De acordo com Amoêdo, os recursos recebidos pelo Novo ficarão retidos até que possam ser devolvidos ao Erário de forma legal.

O partido é mantido pelos cerca de 20 mil filiados, que contribuem com R$ 29,00 por mês. O pré-candidato diz que a ideia é fazer uma campanha barata, com ampla utilização das mídias sociais e recebimento de pequenas doações.

O Novo terá candidato a governador em São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de 360 candidatos a deputado federal em 18 estados e no Distrito Federal.

O Conversando com quem faz a diferença dará sequência em breve à série de entrevistas com os pré-candidatos à presidência da República. Acompanhe o calendário que será divulgado nas mídias sociais e nos canais de AméricaEconomia.