Por Fernando Valencia e Sol Park, AméricaEconomía Intelligence

A última vez que a Escola de Negócios da Universidade Adolfo Ibañez (UAI), do Chile, havia alcançado o primeiro lugar no ranking foi em 2013, cedendo a seguir a posição à mexicana Egade, a Escola de Negócios do Instituto Tecnológico de Monterrey (Tec). Até hoje.

A principal razão desse avanço foi seu domínio na dimensão Poder de Rede, no qual a UAI obteve uma vitória absoluta, alcançando a pontuação máxima no índice. A lista de egressos recentes da UAI possui executivos em melhores posições  profissionais e maior porcentagem de executivos em altos cargos gerenciais. Ao mesmo tempo, a UAI melhorou sua competitividade ao aumentar a quantidade de professores PhD com ampla trajetória acadêmica e doutorado num seleto grupo de universidades de classe mundial, com 41 professores nessa categoria, enquanto a segunda colocada tem 34.

 

 

 

“Nos concentramos em melhorar a qualidade da faculdade de forma permanente. Contratamos professores locais e cerca de 49% de professores estrangeiros, e investimos num corpo docente, em nossos nove departamentos, balanceado entre especialistas em teoria e docentes capazes de dar aulas com base em experiência prática”, diz Mauricio Villena, vice-reitor da Escola de Negócios da UAI.

A escola também aumentou sua produção e produtividade de papers validados pelos pares e publicados em revistas científicas de impacto. Entre dois períodos trianuais de publicação, a quantidade de artigos da UAI publicados em revistas indexadas na base de dados ISI aumentou de 83 para 108.

Aumentar a produtividade em pesquisa não foi uma tendência apenas da Adolfo Ibañez. As dez primeiras colocadas no ranking anual cresceram, em média, 43% nessa variável, destacando-se a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV), que aumentou suas publicações em 144% – de 45 para 115 – e a Universidade do Chile, que passou de 152 para 199 artigos.

Esta edição traz o retorno da Centrum Graduate Business School, da Pontifícia Universidade Católica do Peru, que volta a integrar o ranking depois de sete anos de ausência. Ela promove uma intensa competição com as também peruanas ESAN, com quem tem uma diferença milimétrica, e Universidade do Pacífico, que fica um pouco mais atrás.

Nova geração, nova empresa

Se uma coisa diferencia os millennials dos baby boomers é a mobilidade, que vai dos celulares às mudanças profissionais. De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte em 2017, os jovens de 20 a 35 anos valorizam a flexibilidade no trabalho e o reconhecimento por suas habilidades, em lugar de sua história laboral.

Essa atitude levou até mesmo à criação de um novo termo para falar dessa geração: os millennipreneurs. “Cada vez mais percebemos que nossos alunos querem ser donos de seu destino, e vemos também que até empresas digitais, como Mercado Livre e Wolox, apostam no MBA como método de capacitação de seus executivos”, afirma Martín Zemborain, professor associado da Escola de Gestão e Negócios da IAE, da Argentina.

Frente a essa realidade, AméricaEconomia incorporou uma nova variável nesta edição do ranking, que avalia as atividades dos estudantes e ex-alunos de cada escola em empreendedorismo – e os resultados foram surpreendentes.

Das 38 escolas de negócios, 30 reportam empreendimentos de seus egressos, somando 364 nos últimos três anos. Além disso, de acordo com pesquisa realizada por AméricaEconomia entre 492 egressos das universidades participantes do ranking, a média ficou em 8,1 pontos (numa escala de 0 a 10) na resposta à pergunta: “o programa de MBA me forneceu ferramentas para montar um negócio próprio?”

“Empreendedorismo e inovação, que em algum momento foram coisas extremamente sofisticadas, hoje se transformaram em commodity. É difícil conceber que alguma escola de economia e negócios no mundo não acredite que esse tema seja um elemento central”, afirma Matías Lira, diretor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Desenvolvimento (UDD), do Chile. De fato, essa unidade da UDD reportou uma quantidade de startups criadas por ex-alunos que supera todo o restante das escolas, com 79 empreendimentos nos últimos três anos.

Outras escolas do grupo das 10 melhores também têm projetos derivados dessa necessidade de empreender. A Egade Business School, por exemplo, lançou em 2017 seu Centro de Inovação e Empreendedorismo para ser um elo entre os diferentes atores do ecossistema de inovação do México e permitir que os empreendedores apresentem suas startups ou scale-ups a investidores e empresários.

E não se pode deixar de lado o Centro de Inovação UC, no qual as diferentes faculdades da Universidade Católica do Chile se uniram para levar adiante a transferência tecnológica, a inovação corporativa e a criação de startups. De um lado, o Centro abre um espaço para estudantes e pesquisadores trabalharem num ambiente colaborativo e multidisciplinar, ao mesmo tempo em que promove uma cultura de inovação e provê as ferramentas para inserção no mercado.

Metodologia Ranking MBA

Capacidade acadêmica (37,5%): Avaliada de acordo com dois critérios: professores full time e a qualidade de sua formação acadêmica; e os professores part time e sua experiência no âmbito dos negócios. 80% correspondem ao currículo acadêmico dos professores full time, segmentado em: formação acadêmica, medida por meio de sua maior titulação obtida (10%); proporção de estudantes por docente (15%); e média de qualidade da faculdade dividida pela quantidade de estudantes (75%). Os outros 20% do total correspondem à qualidade da trajetória empresarial e pública dos professores part time. Para a avalição, as escolas participantes escolheram seus dez melhores professores part time de acordo com o currículo, tomando como indicador os últimos três cargos executivos ou de responsabilidade política desses professores.

Produção de conhecimento (17,5%): Considera a produção, a produtividade e o fator de impacto trianual de papers ISI (base Thomson Reuters) cuja filiação corresponda às escolas de negócios (80%), discriminando entre professores full time e part time. Avalia a seguir a difusão de conhecimento por meio da produção de livros ou capítulos de livros em grandes editoras globais, o que equivale aos 20% restantes.

Internacionalização e diversidade (20%): A internacionalização é composta por: convênios de dupla titulação com universidades estrangeiras e quantidade de alunos beneficiados (30%); acreditações (AMBA, EQUIS, AACSB) e licenças (como SAQS) com as quais a universidade ou a escola de negócios contam; filiações que a escola tenha (AACSB, ALADEN, AMBA, BALAS, CEMS, CFA, CLADEA, EFMD, EMBA, Global Advances, Management, NIBES, PIM, PRME, SEKN, SUMAQ e UNICON), correspondendo a 10%; a quantidade de sedes no exterior (10%); e convênios de intercâmbio com universidades top 100 (10%). A diversidade é composta pela quantidade de alunos que recebem bolsas (5%); diversidade geográfica de estudantes e professores estrangeiros e a diversidade geográfica das escolas ou universidades em que os professores full time obtiveram seu grau acadêmico mais alto (47,5%); e a paridade de gênero nos altos cargos de direção e no corpo docente (47,5%).

Poder de rede (25%): Avalia a posição executiva e a trajetória alcançada pelos egressos de cada escola (90%), de acordo com as três melhores posições executivas alcançadas pelos dez melhores egressos dos últimos três anos (35%); a trajetória alcançada pelos dez melhores egressos dos programas MBA de cada escola participante (25%). 5% dessa dimensão estimam a existência de associações de egressos e de centros de colocação profissional. Os 5% restantes correspondem a uma nova variável deste ranking e valorizam os empreendimentos que os egressos desenvolveram nos últimos cinco anos.

Rankings por especialidade