A liberdade de imprensa deixa não apenas muita gente agitada, como um ou outro caudilho que ainda subsiste na América Latina, como também torna mais agitado o mercado de ações. O paradoxo é que, a longo prazo, os ataques de nervos produzem bem-estar na economia. Essa é a conclusão de um dos primeiros estudos para avaliar a relação entre o índice de liberdade de imprensa (PFI, na sigla em inglês) de um país com as características de seus mercados de ações, usando dados de um painel de 50 países. Trata-se de uma pesquisa realizada pelo professor Thorsten Lehnert, da Escola de Finanças de Luxemburgo.

Segundo o estudo, em locais “livres, as notícias e a informação estão amplamente disponíveis e são imediatamente absorvidas pelos mercados. Isso leva os agentes econômicos, como os lares, as empresas, os investidores ou os políticos, a serem melhores processadores de informação”. Por outro lado, em locais “não livres”, nos quais os governos têm um controle rígido dos meios de comunicação, “as notícias econômicas podem ser retidas ou a sua veiculação pode ser adiada, o que provoca menos impactos abruptos nos mercados de ações”.

No entanto, a restrição à liberdade imprensa não é de fato positiva para a economia em geral, conforme explica Lehnert: “A liberdade de imprensa em um país contribui de forma positiva ao que os economistas chamam de ‘boa volatilidade dos mercados de ações’, como por exemplo, condições que tornam vantajoso às empresas assumir riscos que são necessários para um maior crescimento econômico, motivo pelo qual esse não deve ser tomado como um argumento para diminuir a liberdade de imprensa, pelo contrário: a liberdade de imprensa gera mais bem-estar e crescimento econômico.

Lehnert também descobriu uma relação interessante entre a liberdade de imprensa e as crises econômicas. Vários Estados-membros da União Europeia viram seu nível de PFI cair significativamente desde a crise financeira de 2008. A Grécia, por exemplo, caiu 64 lugares entre 2009 e 2013, quando chegou à posição 99 de 180 países avaliados. Hungria, por sua vez, teve uma queda de 41 posições na sua PFI, de 25ª em 2009 a 64ª em 2013. Luxemburgo, por sua vez, um país politicamente estável, menos afetado pela crise, ficou inicialmente na 20ª colocação em 2009, mas melhorou constantemente sua classificação até chegar à 4ª colocação em 2013. Como era de se esperar, a queda no valor da moeda e os ajustes provocados pelas crises e recessões destroem veículos de imprensa, a variedade de oferta informativa e a qualidade/quantidade de informações disponíveis. Por isso, apesar de criar certa volatilidade nos mercados de ações, uma imprensa livre não é boa apenas para a economia em geral, mas é uma parte essencial das sociedades democráticas.