Faltando cinco meses para o final de seu segundo mandato, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, decidiu apostar em mais um acordo de paz – desta vez com os rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Nesta segunda (12), Santos anunciou que vai retomar as negociações com a guerrilha, porque quer “salvar vidas e alcançar uma paz completa para a Colômbia”. O diálogo foi interrompido em janeiro, depois que os guerrilheiros realizaram vários ataques, matando oito policiais.

O anúncio foi feito um dia após as históricas eleições legislativas de domingo (11) que contaram com a participação dos ex-rebeldes das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc).

Para Santos, a votação representa uma consolidação do acordo de 2016, que colocou um fim a 52 anos de enfrentamentos entre o governo colombiano e a maior guerrilha do país.

No ano passado, 7 mil rebeldes das Farc entregaram as armas. Em troca, receberam financiamento para criar um partido, que conservou a sigla, mas mudou o nome para Força Alternativa Revolucionária do Comum.

“Foi a primeira vez em mais de meio século em que as Farc, em vez de sabotar as eleições, participaram delas”, disse Santos. Mas os resultados da votação foram pouco favoráveis aos ex-guerrilheiros e aos aliados do partido no governo, colocando à prova o acordo que levou o presidente a ganhar um Prêmio Nobel da Paz.

O acordo garante às Farc cinco senadores e cinco deputados no novo Congresso, independentemente do número de votos obtidos. O novo partido esperava ampliar sua bancada além da cota, mas não obteve o apoio suficiente.

Muitos dos 36 milhões de eleitores colombianos ainda associam as Farc à violência, que levou à morte de 260 mil pessoas em 50 anos. Os partidos conservadores, que se opuseram ao acordo de paz, foram os mais votados, mas não têm maioria.

Agora, toda a atenção está voltada para as eleições presidenciais de 27 de maio, que serão disputadas por duas grandes coligações – além de candidatos de diferentes partidos.

Iván Duque, do partido Centro Democrático, representará a aliança de direita. Seu padrinho político é o ex-presidente Álvaro Uribe, que já foi aliado de Santos, antes de liderar uma campanha contra o acordo de paz. Gustavo Petro, que já foi guerrilheiro do antigo M-19, vai ser o candidato da aliança de esquerda.