O governo do Brasil, ao lado dos países do chamado Grupo de Lima – Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia –, divulgou nota na manhã desta segunda (21) na qual diz não reconhecer “a legitimidade do processo eleitoral que teve lugar na República Bolivariana da Venezuela, concluído em 20 de maio passado, por não estar em conformidade com os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente”.

Entre outros pontos, a nota diz que os países “concordam em reduzir o nível de suas relações diplomáticas com a Venezuela, razão pela qual chamarão para consultas os embaixadores em Caracas e convocarão os embaixadores da Venezuela” para expressar seu protesto.

Presidente da Venezuela desde 2013, Nicolás Maduro, de 55 anos, foi reeleito neste domingo para mais seis anos de mandato, numa eleição duramente criticada pela oposição e com elevado índice de abstenção.

De acordo com a imprensa oficial, Maduro obteve 67,7% dos votos, enquanto o segundo colocado, Henri Falcón, conseguiu 21,1%.

Em entrevista coletiva na noite de domingo, Falcón disse não reconhecer o resultado das eleições. Segundo ele, são necessárias novas eleições, pois houve uma “violação” do acordo pré-eleitoral.

Maduro chamou os candidatos derrotados e as lideranças que promoveram a campanha em favor da abstenção para um diálogo. “Henri Falcón, Javier Bertucci e todos os líderes da oposição, [apelo para] que nos reunamos, nos encontremos e falemos da Venezuela, convido-os aqui e assumo a responsabilidade deste chamado”, disse.

Legalidade

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, ressaltou que mais de 150 representantes de organismos internacionais acompanharam a transparência e legitimidade das eleições e dos conselhos legislativos. Na relação desses representantes estão o ex-ministro da Espanha José Luis Rodríguez e o ex-presidente do Equador Rafael Correa, ambos simpatizantes de Maduro.

O processo eleitoral foi acompanhado por forte esquema de segurança, com 300 mil homens da Força Armada Nacional Bolivariana, além do apoio de seguranças e funcionários públicos.