O presidente Evo Morales disse nesta quinta-feira (23) que a Bolívia vai trabalhar em três frentes para fazer valer os seus direitos contra o Chile, país que acusoude manter, historicamente, uma postura agressiva.

Ele fez o anúncio durante ato celebrando a Batalha de Calama (após o confronto, a Bolívia perdeu o acesso soberano ao mar durante a Guerra do Pacífico.

Na praça Abaroa de La Paz foi realizado um desfile cívico-militar com a presença de autoridades nacionais e locais, bem como de chefes das Forças Armadas e da polícia boliviana.

"Hoje a nossa Bolívia é mais digna e soberana, acredita em si mesma e não devemos duvidar por um instante que, cedo ou tarde, vamos conquistar a reivindicação histórica de ter uma saída soberana para o Oceano Pacífico", disse ele, depois de enumerar as três ações.

Primeiro, a Bolívia anunciou que trabalhará acionando mecanismos legais em cortes internacionais para fazer valer os seus direitos à livre circulação, que disse que eram "pisoteados, obstruídos e negados" como "retaliação" para a reivindicação marítima que a Bolívia apresentou contra o Chile em 2013.

Em seguida, disse que a Bolívia irá contestar com argumentos de respeito aos direitos humanos e de proteção da natureza na petição que será apresentada pelo país no dia 3 de julho perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) exigindo que o rio Silala seja reconhecido como internacional.

Em terceiro lugar, disse que "o Governo do Chile deve estar ciente de que as ações de intimidação praticadas contra a Bolívia... constituem violações de convenções e princípios do direito internacional, que rege as relações cordiais entre os países".

Em seguida, Morales reiterou sua denúncia contra o governo de Bachelet pela forma como foram tratados dois militares e sete funcionários da alfândega, que teriam sido capturados quando combatiam o contrabando na fronteira. "O povo boliviano estão com vocês, não os abandonaremos", afirmou.

O presidente também aproveitou o evento para fazer uma análise do processo que a Bolívia move contra o Chile na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. Segundo ele, a decisão da corte em 2015 já foi altamente favorável para o país ao rejeitar a objeção do país contra a demnada.

Ele mencionou três vitórias: que a CIJ reconheceu que existe uma pendência entre os países que não foi resolvido com o Tratado de 1904, que a Bolívia tinha um litoral extenso no momento de sua independência e que o Chile ocupou território boliviano ainda que tenham sido traçados limites fronteiriços.

A Bolívia comemora no dia 23 de março a defesa de Calama e a subsequente perda da saída para o mar ao Chile, em meio a uma crescente tensão por causa da detenção de dois militares e sete funcionários aduaneiros que na quarta-feira (22) foram levados à prisão acusados pelos crimes de roubo com intimidação e violência, porte de armas proibidas e contrabando.

"Infelizmente nos últimos tempos aumentaram as ações de hostilidade pelo governo chileno contra nosso país", disse o ministro da Defesa, Reymi Ferreira. Ele citou, como parte das ações provocativas do Chile, a captura de soldados bolivianos em 2013 e a recente instrução de baixar as bandeiras bolivianas em Antofagasta e a visita de autoridades chilenas a Silala com "declarações agressivas".

Ele disse que isso não é novidade, porque historicamente o Chile "sempre teve uma atitude agressiva, desde a usurpação de nosso litraol até o desvio do rio Lauca ou o uso ilegal das águas do Silala".

No entanto, disse que as celebrações de 23 de Março mudaram de direção desde 2013, quando a Bolívia decidiu agir perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) para que o Chile cumpra seus compromissos históricos de atender a reivindicação marítima da Bolívia. "Agora celebramos com otimismo e não com tristeza como antes", afirmou Ferreira.

Nas principais capitais país foram feitos desfiles pelo Dia do Mar, que recorda a invasão do Chile a Calama em 1879, onde ocorreu a primeira batalha da Guerra do Pacífico, na qual a Bolívia perdeu 400 km de litoral e 120 km² de território.