Em dia de turbulências nos mercados globais, a moeda norte-americana teve forte alta e voltou a fechar no maior valor em quase dois anos. O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (2) vendido a R$ 3,549, com alta de R$ 0,046 (+1,3%). A cotação está no valor mais alto desde 2 de junho de 2016 (R$ 3,588).

A divisa operou em alta durante toda a sessão. Por volta das 15h30, quando o Federal Reserve (Banco Central norte-americano), conhecido como Fed, decidiu manter os juros básicos nos Estados Unidos, a cotação da moeda caiu para perto de R$ 3,52, mas voltou a se aproximar de R$ 3,55 na hora final de negociação.

No mercado de ações, o dia também foi marcado pela volatilidade. O índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou o dia com queda de 1,82%, aos 84.547 pontos. Esse foi o maior recuo diário desde o fim de fevereiro.

Anúncio do Fed

Também nesta quarta, o Fed manteve os juros básicos da maior economia do planeta numa faixa entre 1,5% e 1,75% ao ano. Em comunicado, no entanto, a autoridade monetária norte-americana indicou que pode elevar a taxa na próxima reunião, em junho.

O fato de a inflação da maior economia do planeta estar em alta aumenta as possibilidades de que o Fed eleve os juros além do previsto. Taxas mais altas em economias avançadas atraem os investidores internacionais, que retiram o dinheiro de países emergentes, como o Brasil, pressionando para cima a cotação do dólar.

Mercado futuro

O Banco Central (BC) renovará os contratos de venda de dólares no mercado futuro. A autoridade monetária anunciou que iniciará nesta quinta (3) a rolagem de 113 mil contratos de swap cambial que venceriam em junho.

O valor desses contratos não foi divulgado. Em comunicado, o BC informou que, nos primeiros dias, vai acelerar a rolagem dos contratos para segurar a alta da moeda norte-americana. Apenas hoje devem ser renovados 8,9 mil contratos.

“Com o objetivo de suavizar movimentos no mercado de câmbio, o Banco Central irá ofertar quantidade de contratos superior à necessária para a rolagem integral desse vencimento”, informou a autoridade monetária no comunicado do dia 2.

Atualmente, o Banco Central tem US$ 23,8 bilhões em contratos de swap cambial. Desse total, US$ 5,65 bilhões venceriam em 1º de junho, mas vão ser renovados e sairão de circulação em três etapas: uma em 1º de agosto, uma em 1º de novembro e a última em 2 de janeiro de 2019.

Por meio das operações de swap cambial, o Banco Central vende contratos em reais no mercado futuro para conter a volatilidade do câmbio e reduzir a demanda por dólar.

O Banco Central aposta que a divisa subirá mais que os juros futuros. Os investidores apostam que os juros aumentarão mais que a moeda norte-americana. No fim do contrato, as duas partes trocam os rendimentos.