Por Beatriz Santos, AméricaEconomia

Para falar da trajetória que a levou do jornalismo ao cargo de prefeita de Itapetininga, Simone Marquetto lembra: “Eu era apenas uma jornalista que criticava muito, que apontava o dedo demais, mas não era o suficiente para mim. Só discutir política com o vizinho ou na televisão não era o suficiente. Se eu aponto e falo que dá para fazer, então eu preciso estar lá dentro para mostrar que realmente dá para fazer”.

Sua primeira experiência na vida pública foi como secretária de Comunicação da Câmara Municipal de Sorocaba. Em 2016, foi eleita para comandar o terceiro maior município em extensão territorial do estado de São Paulo. Foi a primeira mulher eleita para o cargo, vencendo o pleito com 81,4% dos votos válidos.

Nesta terça (27), Simone falou sobre sua experiência no Conversando com Quem Faz a Diferença, evento promovido em São Paulo pelo Global Council of Sales Marketing (GCSM), com apoio de AméricaEconomia. A conversa teve mediação de Tathiana Turbian, vice-presidente do Innsbruck Group, que publica AméricaEconomia.

Simone reforça que suas propostas “pé no chão” a colocaram na posição que ocupa hoje, e faz questão de lembrar isso para aqueles que cobram novas obras na cidade. “Quando vêm me cobrar ou dizer que eu não cumpri o que prometi, eu pergunto: onde eu prometi isso? Desde o início tenho propostas de trabalho concretas e elas serão cumpridas. Eu estudei a cidade antes, estava com as propostas viáveis em mãos. Minha grande obra é colocar para funcionar aquilo que foi deixado para trás, até porque quatro anos passam muito rápido e o processo concretizar as coisas leva muito tempo”, afirmou.

Desde o início de sua gestão, a prefeita conta que exonerou mais de 15 funcionários públicos. Quando questionada sobre o motivo, ela responde: moralidade. “Não posso compactuar com alguns tipos de situação. Dizem que não vou ser reeleita nem para síndica se continuar a fazer isso, mas o meu papel é a moralidade, e esse é o meu exercício de cidadania. Meu discurso não é em vão”.

Simone contou que, quando deixou o trabalho como jornalista para se candidatar, as pessoas entendiam que ela possuía uma proposta “pé no chão”. “Próximo ao período eleitoral, tivemos uma reunião com lideranças femininas, e eu disse que não queria recursos de empresário porque não queria estar amarrada a ninguém, tanto que apenas dois dos meus secretários têm filiação política. Meu trabalho é uma somatória de esforços, e trago isso desde o começo da campanha”.

Economia local

Simone reforçou que a prefeitura tem trabalhado com uma gestão focada em economia e inteligência, e citou um exemplo: “Tínhamos duas escolas com obras paradas, e a obra para uma escola fica em média por R$ 3 milhões para terminar. Hoje, com R$ 5 milhões, conseguimos apropriar três escolas, que já estão prontas e entregues. Fizemos andar a fila de espera de creche em mais da metade no período de um ano. Temos que trabalhar com aquilo que é prático para dar a resolução rápida”.

Hoje, o município acolhe mais de 12 mil empresas. A fim de qualificar a mão de obra na região e incentivar novos investimentos, a prefeitura recriou a oferta de cursos profissionalizantes gratuitos para fazer o mercado voltar a crescer.

“Temos feito visitas nas empresas que já atuam na região para fortalecer e buscar incentivos. Ontem criamos um projeto de lei para a liberação de ISSQN para os empresários que queiram construir em nossa cidade, porque a construção civil aquece o mercado brasileiro, e queremos atrair novos investimentos”.