Um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parece revelar que a desigualdade no México é maior do que aquilo que se havia calculado. Num novo enfoque do documento Panorama social da América Latina 2016, divulgado recentemente, a Cepal atualiza pela primeira vez a estrutura da propriedade de ativos físicos e financeiros mexicanos.

O relatório assinala que 10% das empresas concentram 93% dos ativos físicos, enquanto que os 90% restantes dispõem de rarefeitos bens de capital. Por isso, o coeficiente de Gini da concentração dos ativos fiscais chega à cifra recorde de 0,93 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade).

Dos ativos físicos e financeiros das famílias, dois terços estão nas mãos de 10% – 1% das famílias concentra mais de um terço deles. A repartição dos ativos financeiros é ainda mais desigual: 80% são de propriedade dos 10% mais ricos. Por isso, o coeficiente de Gini da distribuição dos ativos totais das famílias é de 0,79.

“A estrutura da propriedade é uma das variáveis fundamentais na manutenção, se não mesmo no crescimento, da desigualdade social. Por essa razão, os estudos empíricos sobre a medição da riqueza e da desigualdade de ativos tendem a coincidir em que essa é uma desigualdade maior, mais profunda e mais estável do que aquela demonstrada apenas pela renda”, diz o relatório.

As reformas e as políticas macroeconômicas parecem não incidir sobre a persistente desigualdade do México. Um relatório da OCDE sobre as mais recentes reformas fiscais dos países avançados colocou o país em último lugar na classificação de quanto os impostos ajudaram a reduzir a desigualdade (não mais do que 0,3%).