Cerca de três milhões de passageiros deixam de usar o ônibus como transporte público diariamente no país, informou nesta quinta (24) a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, ao divulgar os dados anuários referentes a 2016/2017.

Nos últimos três anos, o nível da queda de passageiros atingiu 18,1%. Só em 2016, o número de passageiros transportado diariamente por ônibus caiu 4,6% em relação a 2015.

Os dados são baseados em nove das principais capitais brasileiras (Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), que concentram 37% da demanda transportada no Brasil. A associação faz o monitoramento dos dados de transportes públicos urbanos desde 1994.

“É uma queda expressiva e preocupante”, considera o presidente da entidade, Otávio Cunha.

De acordo com o levantamento, o desemprego e a crise econômica são os principais responsáveis pela queda nos números dos usuários do transporte público.

Otávio Cunha avalia que outros fatores contribuem diretamente para o cenário atual. “Temos que levar em conta as distorções do sistema de transporte público urbano, tal como a falta de fontes de financiamento para a tarifa, que hoje é paga, exclusivamente, pelo usuário”, aponta.

Investimentos

Para o presidente da associação, fatores como a tarifa, o tempo de viagem, o estado dos veículos e o trânsito cooperam para a queda do transporte nos ônibus.

“Pesquisas apontam que a redução da tarifa e a volta dos investimentos em infraestrutura podem atrair novamente o usuário do ônibus como transporte público. A melhoria da qualidade do transporte atrairá demanda”, afirma.

Cunha ressalta que pequenas ações podem trazer resultados positivos e rápidos. “Investimentos como a criação de faixas exclusivas e o monitoramento para evitar invasões nas vias podem encurtar o tempo de viagem. Isso influencia na hora da escolha do transporte”, diz.

Desde a Constituição de 1988, a atribuição do financiamento do serviço passou a ser dos municípios. Pelo menos 17% dos custos do transporte público estão ligados às gratuidades para idosos, pessoas com deficiência, estudantes e outras. Esses custos são financiados pelos usuários que pagam passagem.