Os consumidores alemães deverão ter que pagar bem mais caro pela água potável nos próximos anos, segundo empresas de abastecimento do país. 

A razão é que, nas últimas décadas, houve dispersão excessiva de esterco e adubos minerais em pastos e campos agrícolas, segundo Martin Weyand, diretor da Associação Nacional do Setor Hídrico e de Energia (BDEW, na sigla em alemão).

Por causa do aumento de nitrato, o tratamento e a purificação da água potável se tornam cada vez mais difíceis e dispendiosos, disse Weyand ao diário alemão Süddeutsche Zeitung nesta segunda (7). 

"Estamos muito preocupados com o estado da água subterrânea [na Alemanha]. É o recurso mais importante que temos", afirmou.

Nitratos são composições químicas de nitrogênio e oxigênio, frequentemente utilizados como fertilizantes. Segundo Weyand, a nova lei alemã sobre fertilizantes, votada no início do ano, não é suficiente para diminuir os níveis de nitrato na água no país. O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha já havia alertado para o encarecimento da água potável.

Segundo a Comissão Europeia, concentração acima de 50 miligramas por litro pode ter consequências significativas, especialmente para grávidas e crianças.

Dados oficiais do governo dão conta de que cerca de um terço dos pontos de medição na Alemanha apontou níveis de nitrato acima do limite válido no país, de 50 miligramas por litro. Mas, segundo as cerca de 6 mil companhias de abastecimento de água do país, a situação é bem mais crítica.

Weyand alertou que isso poderia encarecer o tratamento de água potável em pouco tempo. Uma avaliação da BDEW, publicada em janeiro deste ano, relata que a complexa eliminação do nitrato poderia significar um aumento anual de 62% na conta d'água em algumas regiões. 

Numa residência com três pessoas, o custo médio da água potável – que os alemães tomam da torneira, além de usá-la para o banho – aumentaria de 217 euros para 352 euros por ano.

Ameaças à saúde

Segundo a BDEW, a principal responsável pela alta concentração de nitrato na água subterrânea é a agricultura. A lei sobre fertilizantes precisa ser revista e reforçada, afirmou Weyand. De acordo com ele, o texto vigente tem muitas lacunas e permite exceções demais.

O nitrato auxilia no crescimento das plantas. Porém, níveis elevados levam a contaminações e influenciam negativamente a diversidade biológica das águas. Os sais estimulam o crescimento de algas, o que pode ser prejudicial para outras plantas.

Os nitratos em si não são perigosos para o ser humano, mas podem se transformar em nitritos, que podem bloquear o transporte de oxigênio no sangue. Também há suspeitas de que os nitritos sejam indiretamente responsáveis pelo desenvolvimento de câncer.

Segundo a Comissão Europeia, uma concentração de nitrato acima de 50 miligramas por litro pode ter consequências significativas para a saúde do ser humano, especialmente para grávidas e crianças.

No final do ano passado, o órgão executivo da União Europeia processou a Alemanha diante do Tribunal de Justiça do bloco, alegando que o país não faz o suficiente para combater a contaminação por nitrato em suas águas.

Em junho, uma coalizão de associações em prol dos recursos hídricos e de organizações ambientais iniciou uma petição para tornar mais restrita a legislação alemã sobre fertilizantes – que inclui limites para o uso de nitrato em regiões com níveis altos de contaminação, assim como o estabelecimento de períodos em que é proibido dispersar fertilizantes.

Entre outros itens, a petição exige uma interrupção imediata da dispersão de esterco nas regiões onde o valor oficial de 50 miligramas de nitrato por litro de água foi ultrapassado.

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