Do Uruguai. Cecilia Pastorino, pesquisadora do Eset na América Latina - companhia líder em detecção pró-ativa de ameaças cibernéticas - esteve de passagem pelo Uruguai para conscientizar sobre a segurança na informática. "Buscamos fazer com que as pessoas vejam como funciona um ataque. É essencial que saibam que essas coisas ocorrem e como ocorrem", afirma.

Segundo ela, o lado positivo do WannaCry - o nome do malware que infectou milhares de computadores pelo mundo e atingiu inúmeras empresas e entidades, inclusive governamentais - é que finalmente ele deu visibilidade ao problema dos ciberataques.

"Temos visto muitos ataques similares, mas não com a mesma repercussão", disse. A fama do ransomware é motivada pela quantidade e tipo de empresas afetadas, entre elas infraestruturas críticas como entidades do governo, transporte, telecomunicações e órgãos de saúde em mais de 150 países. Sua possível paralisação teria um efeito social devastador. 

Embora o ataque de 12 de maio tivesse a meta de obter benefícios econômicos, não devemos deixar de nos perguntar se o ransomware é capaz de interromper as operações normais de um país a ponto de causar estragos. Poderia ser este o modus operandi do ciberterrorismo nos próximos anos?

Países como a China e a Rússia têm grupos de hackers que se vendem pelo maior lance ou trabalham diretamente para seus governos, com o intuito de roubar informações, praticar extorsão ou mesmo boicotar eleições. Confira os grupos mais perigosos:

SEA, Síria

O Syrian Eletronic Army se caracteriza por atacar contas e sites não simpáticos ao governo sírio. Seus objetivos foram bastante notórios: CNN, The Washington Post o The New York Time., Suspeita-se que este grupo de universitários é financiado pelo governo de Assad.

Ajax, Irã

O Ajax Security Team foca seus ataques no eixo político, enfatizando a espionagem. São os grupos de hackers ativistas mais agressivos e seus ataques são, na maioria, focados em dissidentes iranianos ou governos inimigos, como os Estados Unidos.

APT28, Rússia

O nome APT28 se tornou um sinônimo de hacking governamental de elite, com ações cada vez mais agressivas como o roubo e distribuição de informação sobre os líderes do Partido Democrata dos EUA. De acordo com especialistas, seus membros recebem salários dos serviços de inteligência russos.

Oculto Lynx, China

É um dos grupos mais novos e ameaçadores de hackers. Trata-se de um esquadrão que tem um alto nível, focando em organizações de extrema segurança dos Estados Unidos, Taiwan ou Coreia do Sul. Ainda não está claro se são financiados pelo governo chinês.

TAO, EUA

Tailored Access Operations, pertencente à NSA, é uma unidade secreta de ciberespionagem encarregada de hackear servidores estrangeiros. Ela é composta por mais de 1.000 hackers especializados, capazes de se infiltrar em quase todo tipo de programa e rede, privada ou governamental.