Imagine um carro elétrico da marca chinesa Lifan, mas fabricado no Uruguai – ou trens inteligentes com geolocalização construídos pela China Railway Construction Corporation (CRCC) na Argentina. Assim, pouco a pouco o famosíssimo selo Made in China poderia diversificar sua procedência e assentar-se em vários países da América Latina.

Esse é o objetivo de várias empresas chinesas que querem investir em tecnologia na região, medida que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) classificou como “segunda onda” de investimentos do gigante asiático no continente, seguindo-se a um período de expansão entre 2000 e 2016 no qual o intercâmbio comercial entre a China e a América Latina multiplicou-se 17 vezes.

Durante o encontro empresarial China Lac 2017, realizado em dezembro do ano passado em Punta del Este, no Uruguai, os principais executivos chineses expressaram seu interesse em investir em desenvolvimento tecnológico nos países latino-americanos que são seus principais parceiros comerciais – como Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai –, de quem o país compra principalmente matérias-primas.

“Já não se trata mais da China com soja, carne, petróleo ou cobre, mas também com software. A China está investindo em energias renováveis e fazendo pesquisa e desenvolvimento. Há uma segunda etapa de investimento na região”, diz Fabrizio Opertti, chefe da Divisão de Comércio e Investimento do BID. “O investimento da China é de mais de US$ 100 bilhões na América Latina e no Caribe”.

Enquanto isso, Mu Gang, presidente da Lifan, que tem a intenção de produzir carros elétricos no Uruguai, reafirmou o objetivo da companhia de ser um dos líderes da indústria automobilística. “A Lifan está disposta a incorporar a nova tecnologia no continente. Queremos ter um papel decisivo para ajudar na redefinição da pesquisa para termos um melhor conhecimento dos consumidores locais”, afirma.

O vice-presidente da CRCC, Yu Weiping, por sua vez, acredita que a participação da empresa na região terá mais tamanho e profundidade. “Além de produtos e serviços, esperamos incluir tecnologia avançada para produzir os trens mais inteligentes da região. Apenas intercambiar produtos não é suficiente: temos que cooperar em capacidade produtiva”, diz.