Os países da América Latina e do Caribe crescerão em média 1,1% em 2017, depois de dois anos consecutivos de retração. Uma das razões para a expectativa de crescimento mais positiva é a melhora nos preços das matérias-primas exportadas pelos países da região, de acordo com o novo relatório anual apresentado hoje (3) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em Santiago, no Chile.

Para o Brasil, o organismo das Nações Unidas projeta que o PIB crescerá 0,4% em 2017.

O Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2017 destaca a importância das políticas macroeconômicas para alavancar o crescimento de longo prazo e avançar nas mudanças estruturais das economias da região.

Todos os países da região apresentarão taxas positivas de crescimento, com exceção da Venezuela, Santa Lúcia e Suriname. No Brasil, PIB sobe 0,4%

“Para retomar o crescimento de médio e longo prazo é necessário contar com políticas anticíclicas que não somente se concentrem em reduzir as flutuações do ciclo, mas também em modificar aquelas características específicas que influem negativamente no crescimento e na estrutura produtiva dos países da região”, declarou Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, durante a entrevista coletiva em que foi apresentado o documento

“Isso implica avançar em direção a marcos contracíclicos da política fiscal que defendam e promovam o investimento público e privado. Trata-se de revisar as regras fiscais para que permaneçam como instrumentos pró-estabilidade, mas que sejam também pró-investimento. Esse marco fiscal deve ir acompanhado de uma política financeira de estabilização do crédito e uma política monetária que apoie o crescimento do investimento e que vá além de instrumentos como a taxa de juros”, continuou Alicia Bárcena.

Investimento público

Na parte central, o estudo divulgado pela Cepal analisa os desafios de política para dinamizar o investimento e o crescimento e defende que, no processo de alcançar equilíbrios nas trajetórias da dívida e do resultado do setor público, não se deve restringir o investimento público. 

Para isso, separar o tratamento dos gastos de investimento e dos gastos correntes ajudaria a eliminar o viés contra o investimento nos processos de ajuste do gasto público.

Também é importante fortalecer a capacidade de aumentar as receitas públicas mediante mudanças na estrutura tributária (com o estabelecimento de mais impostos diretos), fortalecimento das administrações tributárias e a redução da evasão e elisão, acrescenta o documento.

Segundo o relatório, como em anos anteriores, projeta-se uma dinâmica de crescimento diferente entre países e sub-regiões. Espera-se que o produto interno bruto (PIB) da América do Sul cresça este ano 0,6%, enquanto que as economias da América Central e do México irão se expandir 2,5% em média, graças ao aumento da renda por remessas e as melhores expectativas de crescimento dos Estados Unidos, seu principal sócio comercial. 

Aumenta o desemprego

Entretanto, para as economias do Caribe de língua inglesa e holandesa espera-se um crescimento de 1,2%, após a contração de -0,8% registrada em 2016.

O relatório estima que, à diferença do ano passado, em 2017 todos os países da região apresentarão taxas positivas de crescimento, com exceção da Venezuela — cujo PIB cairia -7,2% — e dos países do Caribe (Santa Lúcia e Suriname, cujo PIB se contrairia -0,2%).

Em relação ao emprego, apesar da recuperação mostrada pelo crescimento econômico durante o primeiro trimestre de 2017, as condições do mercado de trabalho continuaram deteriorando-se devido a uma nova queda interanual da taxa de ocupação urbana.

Para a região em seu conjunto espera-se que a taxa de desemprego urbano aumente de 8,9% em 2016 para 9,4% em 2017. Com isso a taxa de desemprego urbano acumularia um aumento de 2,5 pontos percentuais entre 2014 e 2017.