Na visão de Andrés Garza, economista-chefe da Deloitte México, o ano de 2017 foi de recuperação e de alinhamento do bloco latino-americano ao contexto global, visto que no ano anterior a região registrou uma retração de aproximadamente - 0,5% em decorrência dos problemas econômicos de diversos países: o Brasil, por exemplo, enfrentava uma recessão e a Argentina também estava saindo de um momento muito ruim. Em termos globais, 2016 pode ser considerado um bom período, com crescimento e recuperação da economia, principalmente para os Estados Unidos e a Europa.

Em fevereiro de 2018, houve uma queda no mercado de ações, em nível mundial, entre 5% e 10%. Na avaliação do economista-chefe da Deloitte México, o panorama latino-americano se manteve resiliente a essa queda, especialmente em países como Brasil e Argentina. “Isso mostra um aspecto muito mais defensivo ao entorno pessimista dos resultados gerados pela queda das ações. Apesar deste ano político bastante carregado que teremos, grande parte dos investidores se conservam otimistas e com muitas expectativas sobre a recuperação da economia latino-americana”, considera Garza, destacando que 2018 será um ano-chave para a América Latina em razão das eleições em vários países.

Foco nas reformas

Ano de 2018 tende a ser um dos melhores para a América Latina desde 2013, porém o mercado espera as definições políticas para ter mais nitidez quanto à continuidade do processo, avalia o economista

Para o economista, muitos países da América Latina estão focados na implementação de reformas estruturais que ajudem a melhorar os seus níveis de competitividade. Tomando por exemplo o caso mexicano, entre os anos de 2013 e 2014, durante o governo de Enrique Peña Nieto, foram lançadas as bases para reformas na educação e em outros setores nos quais não havia muita competitividade – como telecomunicações e petróleo, entre outros.

“Atualmente, observamos no México muitos progressos decorrentes dessas reformas. Claro, ainda há muito a ser feito, mas o que já está consolidado ajudou bastante em termos de inflação e mercado de trabalho no país”, afirma. Garza ressalta a importância da redução da dependência que alguns países da América Latina demonstram em relação a itens como o petróleo, uma vez que o cenário favorável atual pode não durar muito. Em sua maioria, os governos estão cientes de que este é o momento certo para seguir com as reformas, acredita.

Andrés Garza: em sua maioria, os governos estão cientes de que este é o momento certo para as reformas. Foto: Divulgação

Ao mesmo tempo, há no panorama político latino-americano um intenso sentimento contra o establishment, motivado por questões de corrupção e pelo aumento da violência. Esses fatores, segundo Garza, podem frear o caráter reformista de vários governos. Ainda assim, o ano de 2018 tende a ser um dos melhores para a América Latina desde 2013. “O problema é que a médio e longo prazo, para que isso seja sustentável, é necessário manter o foco nas reformas estruturais”, diz. “Creio que, com os resultados eleitorais em diversos países, o mercado terá maior nitidez se realmente haverá a continuidade desse bom momento latino-americano ou se a melhora é em razão de uma influência global de curto prazo que deve fazer a América Latina diminuir suas taxas de crescimento”.

A Deloitte é uma das maiores, mais longevas e influentes multinacionais de serviços de consultoria, auditoria e garantia, impostos, assessoria financeira e consultoria de risco. No ano fiscal de 2017, obteve em suas receitas o valor de US$ 38,8 bilhões. A empresa possui quase 264 mil profissionais em suas firmas-membro em mais de 150 países e territórios ao redor do mundo.