O setor de turismo, viagens e eventos é um grande negócio e os países vizinhos já entenderam isso – mas o Brasil ainda não, lamenta Toni Sando, presidente-executivo do São Paulo Conventions & Visitors Bureau - Visite São Paulo e presidente da Unedestinos (União Nacional das Entidades de Destino).

As oportunidades são cada vez maiores, afirmou Sando em palestra da série Conversando com quem faz a diferença, promovida pelo Global Council of Sales Marketing (GCSM) e AméricaEconomia nesta quarta (29) em São Paulo. “Como dizia o economista Roberto Campos, o Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades”, lembrou. Entre os momentos que poderia ter aproveitado para melhorar a infraestrutura e colher novos investimentos de longo prazo, estavam a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

O presidente da Visite São Paulo – entidade que congrega a cadeia produtiva de turismo, eventos e viagens na capital – não isenta de responsabilidade o empresariado, mas aponta que uma das razões para que esse potencial não seja aproveitado é a pouca importância dada ao setor pelos gestores públicos. “Tivemos mais de dez ministros do Turismo de 2014 para cá, e seis secretários no estado de São Paulo”, disse.

“O turismo é secundário nas negociações partidárias, e às vezes é mais fácil descartar [a Secretaria] por conta dessas negociações”, explicou. Dessa forma, liberações de verbas e novos projetos acabam truncadas sempre que mudam os ocupantes dos cargos. Outro problema é que essas funções acabam sendo assumidas por pessoas que não vêm do mercado e não conhecem as necessidades do setor.

Prioridade

No final de outubro, Sando esteve no Congresso Nacional, em Brasília, onde participou de uma sessão solene em homenagem ao Dia Nacional e Mundial do Turismo. Aos deputados, fez a pergunta que repetiu ao público na conferência de São Paulo: “como ter continuidade no planejamento do turismo se o turismo não é prioridade no planejamento?”

Também reforçou a importância do encaminhamento de pautas do setor: redução da alíquota do ICMS para o combustível de aviação; regulamentação do uso das plataformas eletrônicas para hospedagem; transformação da Embratur numa agência; maior participação do país nas feiras internacionais; isenção de impostos para implantação de parques temáticos e regulamentação dos cassinos, entre outras.

Para Toni Sando, “a vocação do Brasil é o turismo”. Trabalhar as diversas cadeias produtivas – hospedagem, eventos etc. – de forma integrada é fundamental para aproveitar as oportunidades. A capital paulista chega a receber num só mês 1,5 milhão de visitantes, número superior à população total de uma capital como Porto Alegre ou Curitiba. A última edição do festival Lollapalooza, realizada em março deste ano, gerou R$ 93 milhões para a cidade, enquanto o Carnaval do Rio de Janeiro gera R$ 3 bilhões.

O movimento se reflete em hospedagem, nas compras, na gastronomia, no transporte, no trabalho para pessoal de infraestrutura, montagem, artistas, vendedores, artesãos e em muitas outras áreas.

Em sintonia com essa vocação do país, AméricaEconomia tem dedicado crescente espaço ao turismo em seu site e também prepara um encarte sobre o setor para a edição impressa.