O Brasil poderá contestar em organismos internacionais a tarifa de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (1º).

Em nota, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços se mostrou preocupado com a restrição e afirmou que ela afetará as exportações brasileiras de ambos os produtos.

O ministério afirmou que o governo brasileiro espera chegar a um acordo com os Estados Unidos para evitar a aplicação das tarifas, mas, caso isso não seja possível, o Brasil pode questionar a medida em foros globais.

“O governo brasileiro não descarta eventuais ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses nesse caso concreto”, diz a nota.

A pasta se manifestou pouco depois de Trump anunciar, em Washington, que na próxima semana assinará um decreto para impor tarifas de 25% às importações de aço e de 10% às de alumínio de alguns países.

De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o Brasil tem uma cota de mercado de 13% nas exportações de aço para o mercado americano, atrás apenas do Canadá, com 16%. A China atende a apenas 2% das importações americanas.

Apesar de Trump não mencionar os países afetados, o secretário de Comércio, Wilbur Ross, assinalou num documento que a China é a “grande responsável” pelo excesso de aço nos mercados internacionais. Outros países mencionados pelo governo americano são a Índia, o Brasil, a Rússia e a Coreia do Sul.

Estruturas produtivas

Na terça-feira (27), o ministro Marcos Jorge havia se reunido em Washington com Ross e reiterara a posição do governo brasileiro de que o aço produzido no Brasil não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

O argumento do governo brasileiro é de que as estruturas produtivas dos dois países são complementares e 80% do aço exportado pelo Brasil é semiacabado e usado como insumo pela indústria siderúrgica americana.

Além disso, o ministério ressaltou que a parceria também é vantajosa para os Estados Unidos. De acordo com o governo, o Brasil importou cerca de US$ 1 bilhão de carvão siderúrgico americano no ano passado. O combustível foi usado nas siderúrgicas nacionais para produzir o aço exportado aos Estados Unidos.

Ross sinalizou disposição para buscar soluções positivas e destacou que uma eventual decisão de aplicação da sobretaxa poderia ser objeto de recurso pelos países interessados.

Exportações

De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, as exportações brasileiras de aço bruto em 2017 totalizaram 15,4 milhões de toneladas (o que equivale a US$ 8 bilhões), com alta de 14,3% em volume e de 43,9% em valor em relação ao ano anterior. As importações aumentaram 23,9%, chegando a 2,3 milhões de toneladas (US$ 2,2 bilhões).

No ano passado, o Brasil exportou 4,8 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos para os Estados Unidos. Destas, 3,7 milhões foram em produtos semiacabados, que precisam ser reprocessados em usinas locais antes de serem utilizados na fabricação de automóveis, eletrodomésticos e maquinários.

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