Bolívia e Venezuela estudam a criação de uma mesa de trabalho binacional para tratar de assuntos relacionados à mineração, pelo interesse do país vizinho em fortalecer esse setor a partir da ampla experiência boliviana na área.

De acordo com um comunicado publicado no site oficial do Ministério de Minas e Metalurgia da Bolívia, o tema foi discutido durante uma videoconferência na qual participaram o titular do ministério, César Navarro, e seu colega venezuelano, Jorge Arreaza.

"Nós gostaríamos de estabelecer uma mesa de trabalho, seja em Caracas ou em La Paz, para compartilhar de uma forma mais detalhada as nossas institucionalidades, os desafios e o papel dos diferentes atores na atividade produtiva e econômica", disse Navarro.

Já Arreaza admitiu que a indústria de petróleo na Venezuela se sobrepôs a outros setores e, embora a mineração siga em desenvolvimento, ainda ocorre de forma muito desorganizada.

O ministro venezuelano destacou a tradição boliviana e a experiência de centenas de anos de exploração de petróleo, desde os tempos coloniais até os dias atuais. A extração mineral começou em 1545 com a descoberta da maior jazida de prata do mundo, a de Potosí.

Nos últimos anos, a produção se diversificou e hoje são exploradas reservas de zinco, estanho, chumbo, ferro e prata, assim como recursos evaporantes, como derivados de lítio, cloreto de potássio e sulfato de potássio.

A Bolívia tem uma das maiores reservas mundiais de lítio, bem muito valorizado na indústria de fabricação de baterias e eletrônicos.

Durante a videoconferência, o ministro boliviano explicou que a Constituição do seu país reconhece três setores de mineração: o estatal, o privado e o social de cooperação. Navarro prometeu a entrega de textos e documentos históricos para que técnicos e profissionais venezuelanos possam estudar a tradição boliviana.

O tema será abordado na próxima Conferência entre os governos de La Paz e Caracas.