Por Cristóbal Sáez Riquelme, Sol Park e Juan Francisco Echeverría

Ela chegou para conquistar: a Stanford Graduate School of Business (GSB), nova integrante do Ranking MBA Global das melhores alternativas para os latino-americanos, desbancou todas as escolas participantes, incluindo Harvard e o IESE, que haviam liderado as últimas edições do ranking.

A fórmula do sucesso dessa famosa escola californiana foi o seu posicionamento destacado em diversos levantamentos internacionais e sua supremacia em Inovação, dimensão de análise introduzida no ranking de AméricaEconomia a partir de 2017, mas que neste ano integrou a capacidade de diferentes instituições de influir nos ecossistemas de inovação nos quais se inserem.

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O fato de pertencer ao maior ecossistema de inovação do mundo é uma vantagem para Stanford. Não é incomum encontrar no campus os fundadores do Twitter, da Microsoft ou da Oracle. Tampouco é raro que os alunos da área de Negócios tenham frequente contato com os de outros departamentos para criar um empreendimento. Mas, para isso, é necessário haver uma infraestrutura e uma institucionalidade estabelecidas.

 

O Center for Entrepreneurial Studies da GSB não apenas oferece cursos e consultorias para startups, mas também a oportunidade de crescimento por meio do programa Stanford Venture Studio e da aceleradora StartX, além da possibilidade de fortalecimento e de formação de redes de contato por meio da BASES, a organização de empreendedores liderada por alunos de Stanford.

Paralelamente, a universidade trabalha pela criação de valor social por meio de seu Center for Social Innovation, que incentiva os estudantes e as organizações a ter uma mentalidade empreendedora e a trazer impactos positivos em suas diferentes áreas de atuação. O fundo de capital de risco GSB Impact Fund apoia os empreendimentos com fins lucrativos que tenham visão social.

“Vemos que não apenas as empresas privadas, mas também as organizações e governos buscam constantemente inovar como forma de crescer e melhorar a economia e as condições sociais. Definitivamente ouvimos o apelo para que os alunos da GSB sejam agentes de mudança nessas organizações”, diz Yossi Feinberg, decano associado da GSB.

Mas não somente Stanford tem muito o que apresentar nessa matéria. De fato, a maioria dos movimentos no interior do ranking pode ser explicada pelas novas variáveis da inovação, aquelas que consideram os esforços em matéria de apoio ou criação de centros de empreendedorismo e inovação, capital semente, incubadoras, fundos de capital de risco, inovação aberta corporativa e redes de contato para inovar, tanto acadêmicas quanto na indústria. Esses critérios se somam aos da medição de 2017, que incluía variáveis focadas na inovação como matéria da grade curricular e como prática institucional. 

A incorporação dos critérios de inovação reflete a análise de AméricaEconomia com relação ao perfil dos executivos desejados pelas grandes multilatinas e multinacionais que contratam MBAs globais com o intuito de buscar líderes capazes de enfrentar processos acelerados de inovação. 

O efeito Trump

Outro fenômeno relevante é o efeito da incendiária retórica antimigratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas matrículas das escolas de Administração e Negócios norte-americanas. “Nos últimos anos a demanda por MBAs dos Estados Unidos vem diminuindo. O processo se acelerou com a mudança na Casa Branca, e na Europa temos nos beneficiado com essa tendência”, diz Martin Boehm, decano da IE Business School em Madri. 

“Os cenários políticos em mudança têm feito com que alguns dos candidatos se sintam nervosos com a oportunidade de, por exemplo, trabalhar nos Estados Unidos”, confirma Peter Johnson, decano associado da Berkeley Haas. “Por isso estamos observando muito de perto a situação para ver como podemos ajudar os nossos alunos”.

A América Latina continua como a segunda maior região exportadora de estudantes internacionais, logo atrás da Ásia, de acordo com um relatório da World Education News and Reviews de 2017. Nesta versão do Ranking MBA Global para Latino-americanos, encontram-se alguns sinais que indicam um ritmo mais lento de crescimento. Em 2017, a média de estudantes latino-americanos matriculados nos programas de MBA full time nas escolas participantes foi de 29 – ou seja, 15,8% do total de matrículas. Considerando as mesmas escolas, para o ano de 2018 a média é de 30, mantendo os 15,8%.

Se essas cifras revelam uma manutenção da importâncias dos latino-americanos na matrícula das escolas globais, a tendência não se repete em relação às norte-americanas, que retrocedem. Em 2017, essas escolas tinham uma média de 17,4 estudantes latino-americanos em suas aulas, enquanto que em 2018 o número é de 15, com queda de 13,9%. Em compensação, o restante das escolas do ranking agregou 10,7% de ingressantes latino-americanos.

“Pela primeira vez há uma queda de candidatos internacionais nos programas de MBA dos Estados Unidos, e pela primeira vez se vê como essas escolas participam dos rankings internacionais como QS, The Economist e Times Higher Education”, explica Sandra Richez, diretora da área de MBA Global da EDHEC Business School, da França. 

Talvez isso explique o renovado interesse das escolas norte-americanas por este ranking. Das cinco novas participantes, quatro são dos Estados Unidos: UC Davis Graduate School of Management, Rady School of Management, Stanford Graduate School of Business e Thunderbird School of Global Management.

Metodologia do Ranking MBA Global para Latino-americanos 2018

Participam deste ranking todas as escolas de negócios latino-americanas que estão presentes nos primeiros dois terços dos rankings de MBA internacionais The Economist, QS e Financial Times ou que, se não pertencem a essas listas, apresentem uma porcentagem representativa de estudantes latino-americanos em relação aos estudantes estrangeiros, ou ainda que tenham uma participação histórica nessa medição. Além disso, que tenham oferecido informações detalhadas à equipe de pesquisa, de modo a permitir a construção de variáveis em torno das seguintes dimensões de análise:

Experiência multicultural e diversidade (22,5%):
* % de estudantes matriculados no primeiro ano (25%)
* Número de nacionalidades (20%)
* % de docentes estrangeiros lecionando no programa (20%)
*Relação homens/mulheres (10%)
* Pontuação em escala de programa multicultural (25%)

Seleção (27,5%)
* GMAT (60%)
* Relação entre estudantes matriculados e aceitos (40%)
Poder de redes para latino-americanos (12,5%):
* % de docentes latino-americanos lecionando no programa (15%)
* % de estudantes latino-americanos em relação a estudantes estrangeiros (15%)
* Pontuação de trajetória de egressos latino-americanos (35%)
* Pontuação de atividades que promovam redes com a América Latina (35%)

Foco em inovação (10%):
* Iniciativas de inovação (40%)
* Impacto no ecossistema inovador (40%)
* Inovação institucional (20%)

Posicionamento internacional (27,5%):
* Posicionamentos alcançados nos rankings The Economist, Financial Times e QS MBA.