Os preços dos alimentos que compõem a cesta básica subiram no mês de junho em 15 das 20 capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Na aferição de maio, o custo da cesta aumentou em 18 capitais.

As altas mais expressivas foram em Cuiabá (7,54%), Recife (5,82%), Curitiba (3,84%), Belém (3,83%) e Porto Alegre (3,45%). As reduções foram observadas em Campo Grande (4,51%), Florianópolis (3,70%), Belo Horizonte (0,32%), Goiânia (0,23%) e Rio de Janeiro (0,10%).

A cesta com custo mais elevado foi em Porto Alegre, no valor de R$ 452,81, seguida por São Paulo, R$ 451,63; Rio de Janeiro, R$ 445,58, e Cuiabá, R$ 425,32. Os menores valores foram observados em Salvador, R$ 333,00 e Aracaju, R$ 349,55.

No acumulado de junho de 2017 a junho de 2018, os preços caíram em 13 cidades, com destaque para Goiânia (-6,23%), João Pessoa (-5,40%) e Salvador (-4,92%). As altas foram registradas em sete capitais, sendo as principais Cuiabá (7,61%) e Rio de Janeiro (6%).

Salário mínimo

Sofreram aumento de preços, o leite integral, a carne bovina de primeira, o feijão, a farinha de trigo, o óleo de soja e o açúcar. O leite integral subiu em todas as capitais, com variação entre 2,34%, em Belém, e 18,01%, em Curitiba.

O quilo da carne bovina de primeira aumentou em 18 capitais, com altas que oscilaram entre 0,27%, em Goiânia, e 8,07%, no Rio de Janeiro. A elevação do volume de carne exportada e o maior abate de novilhos (carne de melhor qualidade) explicam a alta do quilo da carne no varejo.

O Dieese estimou em R$ 3.804,06 o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas, equivalente a 3,99 vezes o salário mínimo brasileiro, hoje de R$ 954,00.

Inflação e baixa renda

Pressionada pela alta dos grupos Alimentação e Habitação, a inflação para as famílias de baixa renda, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), fechou o mês de junho com variação de 1,52%, alta de 0,92 ponto percentual em relação aos 0,60% da variação de março.

Com esse resultado, o indicador acumula alta de 3,03% no ano e 3,59% nos últimos 12 meses.

Os números relativos ao IPC-C1 de junho foram divulgados nesta quinta (5) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV) e indicam que a inflação para as famílias de baixa renda fechou junho com taxa acima da apurada para as famílias de maior renda.

O IPC-BR, que mede a variação de preços para as famílias com renda de até 33 salários mínimos, registrou em junho variação de 1,19%, resultado 0,40 ponto percentual superior à das famílias com renda de até 2,5 salários mínimos.

Com o resultado de junho, o IPC-BR fechou os últimos 12 meses com alta de 4,43%, uma variação 0,84 ponto percentual acima da inflação para as famílias de menor renda.

Os dados divulgados pela FGV indicam que seis das oito classes de despesas componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação de maio para junho, com destaque para os grupos Alimentação, cuja variação passou de 0,50% para 2,31% e Habitação, de 1,02% para 2,36%.

O grupo Educação, Leitura e Recreação passou de uma deflação (inflação negativa) de 0,37% para uma alta de 0,51%; Transportes, de 0,64% para 0,73%; Despesas Diversas de 0,11% para 0,23%; e Comunicação de menos 0,06% para 0,15%.

Nesses grupos, segundo a FGV, os destaques ficaram com os itens aves e ovos, que chegaram a subir 11,48 pontos percentuais, ao passar de uma deflação de 1,25% para uma alta de 10,23%; tarifa de eletricidade residencial, de 5,25% para 9,34%; hotel de menos 4,95% para 2,95%; e gasolina, de 2,64% para 4,25%.

Já os grupos Saúde e Cuidados Pessoais passaram de 0,66% para 0,15% e Vestuário, de 0,35% para 0,27%.