O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que, na atualidade, enxerga dois nomes com o perfil para uma candidatura de centro às eleições presidenciais de 2018: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“Tem que ser alguém que tenha capacidade de articulação muito grande, que saiba ter um grupo de colaboradores, que saiba entender o Congresso Nacional, que tenha conhecimento da economia e experiência na vida pública”, definiu, ressaltando ainda que a candidatura deve ter o compromisso de dar continuidade às reformas do atual governo.

“Não vai ser fácil, num momento em que ainda vivemos um desemprego grande. Falamos de dez milhões de desempregados, e cerca de 40 milhões de pessoas ligadas direta ou indiretamente a esses desempregados. Essas pessoas estão tristes com a realidade brasileira e sem perspectivas, e os populistas se aproveitam desse momento para vir com falsas promessas e criar uma falsa expectativa para o futuro do país com medidas que todos nos sabemos que não deram certo no passado e não darão certo no futuro”, afirmou.

Kassab foi o palestrante convidado para a reunião-almoço promovida nesta quinta (21) pelo Global Council of Sales Marketing (GCSM) e revistas AméricaEconomia e The Winners.

O evento, que encerrou as atividades do GCSM em 2017, foi realizado no restaurante Figueira Rubayat, nos Jardins, em São Paulo. Várias personalidades do mundo político e empresarial foram homenageadas e receberam diplomas durante a reunião.

Contribuições

Kassab ressaltou que, ainda que permaneça alto, o número de desempregados vem caindo nos últimos meses. Para o ministro, o país vive um momento em que “os brasileiros confiam no futuro” e há indicadores positivos, como a queda da inflação e da taxa de juros.

“Para que o governo federal possa cumprir essa primeira etapa das reformas, falta a da Previdência. Ela é a mais importante das reformas e vai acontecer”, enfatizou.

O ministro destacou alguns dos investimentos e realizações de sua pasta, especialmente o lançamento do satélite geoestacionário brasileiro de defesa e comunicações estratégicas, ocorrido em maio.

Kassab referiu-se ainda à ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) segundo a qual recebeu vantagens indevidas de R$ 21 milhões da Odebrecht quando era prefeito de São Paulo (2006-2012). “Sempre defendi a contribuição de empresas. De dois anos para cá, sou o mais radical contra essa contribuição. Ainda nesta semana, o MPSP colocou em sua peça que o [então] prefeito não cometeu nenhuma arbitrariedade, não teve nenhuma contrapartida, mas entrou com uma ação de improbidade porque a empresa fala que deu caixa 2”, disse.

“Não deu, mas se tivesse dado era uma cultura, não sei para quem do partido, mas essa cultura não é mais possível num país como o Brasil, porque não deu certo, foi desvirtuada”, prosseguiu.

Na saída do evento, o ministro conversou rapidamente com os jornalistas. Ao ser perguntado se seria candidato a governador de São Paulo em 2018, sorriu e respondeu: “Faz uma perguntinha mais fácil”, retirando-se em seguida.