Não há país que consiga se desenvolver apenas com financiamento de curto prazo – por isso, as agências de fomento respondem por um papel que os bancos privados não cumprem. O diagnóstico foi feito por Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Desenvolve SP e da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) em palestra da série Conversando com quem faz a diferença, promovida pelo Global Council of Sales Marketing (GCSM) e AméricaEconomia nesta quinta (30) em São Paulo.

Para Santos, ainda que considerem que o risco é alto e o retorno baixo, os bancos privados deveriam ampliar sua parcela de crédito em investimentos do tipo. No Brasil, 55,7% do volume de concessão de crédito são oriundos das agências públicas de financiamento – boa parte desse total vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na conferência, Milton Santos apresentou o Sistema Nacional de Fomento, formado pelas agências e bancos que financiam esses projetos. As entidades atuam em especial por meio da concessão de crédito de longo prazo com taxas de juros mais baixas. “É um sistema voltado a apoiar o empreendedorismo”, define.

Integrante dessa rede, a Desenvolve SP foi criada pelo governo do estado em 2009. De lá para cá, já fez um desembolso total de R$ 2,64 bilhões e atualmente possui ativos totais de R$ 1,59 bilhão. A agência tem como foco pessoas jurídicas de direito privado com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 300 milhões, além da administração direta e indireta dos municípios.

Projetos inovadores

O presidente apresentou as quatro vertentes principais do trabalho da agência, dirigida por ele desde a criação. A primeira é o apoio aos projetos inovadores – “a razão de ser de uma agência de fomento”, define. São cinco linhas de financiamento, responsáveis, entre outros projetos, pela primeira fábrica do mundo a utilizar a palha de cana como matéria-prima para papel.

A segunda é o apoio aos programas de governo, que podem ser para investimento em áreas como iluminação pública, por exemplo, ou ações emergenciais. Um dos municípios beneficiados com essa linha de recursos foi São Luiz do Paraitinga, que sofreu enormes estragos com a grande enchente de 2010.

A terceira vertente é de apoio aos municípios e a quarta reúne ações estratégicas, como crédito digital. Milton Santos ressalvou que há projetos prejudicados pelas mudanças na administração pública federal, como as constantes trocas do titular do Ministério das Cidades.

Santos lamentou também que, no Brasil, o BNDES precisa repassar o lucro apurado ao Tesouro. “Há um embate grande com a área fiscal”, diz. Em outros países, a agência pode reinvestir o lucro – é o caso, por exemplo, da alemã KfW.  

A Desenvolve SP tem parceria com 52 entidades de classe para chegar aos empresários. No portal da agência na internet (clique aqui) todas as informações estão disponíveis. Os interessados podem dar entrada no seu processo e acompanhar o passo a passo e fazer simulações de financiamento. Na área de comunicação também é possível acessar os vídeos da série “Caminhos da inovação”.

A conferência desta quinta encerrou o ciclo Conversando com quem faz a diferença no ano de 2017. O auditório estava lotado para o encerramento, que contou com sorteio de brindes como panetones, vinhos, kits de beleza e um final de semana para duas pessoas no Casa Grande Hotel Resort & SPA, no Guarujá.