Nas últimas semanas, o mercado financeiro tem observado enorme volatilidade na taxa de câmbio entre o dólar e o real. A cotação da moeda norte-americana andou beirando os R$ 4,00, mas recuou após algumas intervenções do Banco Central, que buscou conter a depreciação do real por meio da colocação de swaps cambiais junto ao mercado, em volumes jamais vistos em tão pouco tempo.

A volatilidade nos mercados voltou com força total, deixando mais evidente a situação nada confortável em que se encontra o Brasil atualmente. O movimento negativo no câmbio foi acompanhado por quedas acentuadas nos índices de ações e pelo aumento das taxas de juros dos contratos futuros de mais longo prazo.

Parte do problema vem do cenário internacional. O capital tem fluído das economias em desenvolvimento para as desenvolvidas. Outra parte, contudo, tem a ver com as nossas mazelas domésticas. Não nos preparamos economicamente para o tempo de vacas magras

Parte do problema, como já estamos acostumados a ver, vem do cenário externo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve continua o processo de implementação de uma política monetária mais restritiva, o que faz com que o dólar se aprecie perante outras moedas. Na Europa, o Banco Central Europeu segue passos similares e já mira o fim do ciclo expansionista da política monetária. Para defender suas moedas, bancos centrais de diversos países emergentes, como Turquia, Indonésia e Filipinas, já promoveram altas das respectivas taxas de juros básicas. Mas o movimento é claro: o capital tem fluído das economias em desenvolvimento para as economias desenvolvidas nesta primeira metade do ano.

Outra parte do problema, contudo, tem a ver com as nossas próprias mazelas domésticas. Primeiro, estamos pagando lentamente a conta do expansionismo fiscal verificado até pouco tempo atrás. Como país, não nos preparamos economicamente para o tempo de vacas magras. Também não nos posicionamos adequadamente para o tempo em que houvesse uma redução de liquidez no mercado internacional para economias emergentes (o que é o caso presente).

Em segundo lugar, a incerteza em relação ao cenário eleitoral de outubro deixa os investidores – domésticos e estrangeiros – com o pé atrás em relação a manter ou acelerar seus investimentos no Brasil. E o cenário não é dos melhores: há grandes chances de termos um governo populista de esquerda ou de direita em 2019.

O que podemos esperar dos próximos meses? Vaticinar é sempre um ofício perigoso, mas arrisco dizer que estamos longe de ver o pior momento da convulsão que se abate sobre os nossos mercados financeiros em 2018. O viés contracionista da política monetária no mundo desenvolvido, combinado com o confuso ambiente político-eleitoral a que estamos submetidos por aqui, continuará a ter como efeito o distanciamento do investidor e a consequente piora nos indicadores do mercado.

Para conter o aumento da taxa de câmbio e a saída de capitais, o Banco Central poderá ter de iniciar um ciclo de alta nos juros em breve – mesmo que já tenha indicado que não o fará, já que não se trata de um problema de inflação. A manutenção dos juros no patamar atual pode se provar uma política equivocada.