Apesar de alguma turbulência nas últimas semanas, assistimos a um mercado financeiro relativamente tranquilo nos últimos meses. Não somente tranquilo, mas houve até uma certa dose de euforia. O índice Ibovespa, por exemplo, bateu sucessivos recordes, chegando a tocar nos 77 mil pontos. A taxa de câmbio, que se depreciou um pouco nas últimas semanas por conta do quadro internacional, chegou a ser cotada abaixo de R$ 3,10/US$. As razões para esse comportamento passam pela boa gestão da equipe econômica do governo, mas também estão fundamentadas num quadro externo favorável ao Brasil e na vitória eleitoral de um candidato que siga com as reformas econômicas. E é exatamente aqui que residem os problemas.

Não há dúvidas que a equipe econômica atual está fazendo um excelente trabalho. Aliás, não houve avanços ainda maiores por problemas de natureza política, com mudança de foco sobre prioridades por parte do presidente Temer e da base governista. Por outro lado, reformas que precisavam de maioria simples, como a trabalhista e a mudança da TJLP para a TLP, reduzindo os subsídios implícitos nos empréstimos do BNDES, avançaram e foram aprovadas.

Na parte internacional há risco vindo sobretudo dos Estados Unidos e da China. Nos EUA, o processo de normalização monetária pode fazer com que o capital financeiro volte ao país de forma mais rápida. Num contexto em que o presidente Trump consegue implementar sua agenda fiscal expansionista e de fechamento da economia, isso é mais problemático, pois implica que o Fed terá que agir mais rápido por conta das pressões sobre a inflação. Na China, Xi Jinping foi reconduzido a mais um mandato de cinco anos e existe risco de uma desaceleração mais forte da economia no início do novo plano quinquenal.

No cenário internacional há risco vindo sobretudo dos Estados Unidos, onde o processo de normalização monetária pode fazer com que o capital volte ao país de forma mais rápida, e da china, com risco de desaceleração

Mas é do Brasil que vêm os maiores riscos e a certeza de volatilidade à frente. As eleições de 2018 serão bastante competitivas e há risco de elegermos um presidente que não só interrompa a agenda de avanços como faça vários retrocessos. Lula e Ciro Gomes são vistos como os candidatos mais problemáticos nesse sentido para o mercado. A candidatura de Lula, que lidera com folga os cenários, depende se ele vai ou não ser condenado em segunda instância. Se condenado, ele não pode participar pela Lei da Ficha Limpa, curiosamente sancionada por ele mesmo em 2010. Bolsonaro e Marina, segundo e terceiro colocados nas pesquisas, também trazem muitas dúvidas sobre a condução econômica. As declarações de Bolsonaro sobre economia são um completo desastre. Os candidatos ditos reformistas, hoje nas figuras de Alckmin e Doria, estão num distante quarto lugar na corrida presidencial.

Vale lembrar que em 2002 tivemos um quadro semelhante. A ficha do mercado financeiro que Lula poderia ganhar só caiu a partir de maio daquele ano, trazendo consigo grande volatilidade aos ativos financeiros.