O que deseja um investidor ao buscar aconselhamento que o auxilie a tomar decisões sobre onde aplicar suas economias? Profissionalismo, ética e transparência são valores que vêm à mente – mas o que ele deseja mesmo é não ser enganado, não ser vítima de engodo e, em última instância, preservar seu patrimônio.

Nos últimos anos, vimos no Brasil o surgimento de casas de análise independentes cujo modelo de negócio parecia estar alinhado com os interesses do investidor: a venda de publicações de cunho informativo, com opiniões supostamente isentas e dicas de investimento valiosas. Os investidores teriam, assim, acesso a recomendações independentes sobre operações com instrumentos financeiros como ações e opções, sem que tais operações fossem “empurradas” por seus assessores de investimento em bancos ou corretoras.

A realidade, porém, se provou outra. Em tempos recentes, assistimos ao espetáculo grotesco da multiplicação das propagandas enganosas, com promessas de ganhos de 1.000%, 5.000% e até 15.000% em poucas semanas ou mesmo poucos dias. Qualquer profissional honesto do mercado financeiro sabe que ganhos dessa magnitude, se existem, são frutos de alta frequência de operações, alta alavancagem e alto risco de perda da totalidade do patrimônio investido – ou seja, nada com o que investidores comuns deveriam se envolver.

“Em tempos recentes, assistimos ao espetáculo grotesco da multiplicação das propagandas enganosas. Quem tem como método enganar investidores com promessas de ganhos mirabolantes não pode ser chamado de analista”

Pior que isso – certas propagandas desafiam a lógica e anunciam estratagemas que geram renda mensal como a de um aluguel de imóvel ou de um salário de funcionário público com investimento inicial baixo e rendimentos incríveis. Infelizmente, investidores incautos têm caído com frequência nesse conto do vigário.

Mas a regulação tem avançado para cima dos maus profissionais. Com uma nova instrução sobre a profissão de análise de valores mobiliários, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu um passo importante para coibir abusos nesse setor e defender os interesses do público investidor. Agora, não apenas os analistas (pessoas físicas) devem obter seu registro junto à CVM antes de exercer essa profissão – as casas de análise (ou seja, as pessoas jurídicas) passam a estar sujeitas ao crivo da CVM e da Apimec, entidade autorreguladora do setor. Pela nova regra, a própria linguagem das propagandas (e não apenas o conteúdo dos relatórios de análise que lhes servem de base) deve ser adequada e não induzir o investidor a erro.

Qualquer prestador de serviços relacionados a investimentos que objetive sistematicamente ludibriar o investidor merece ser punido rigorosamente – e a nova regulação mostra o caminho para isso. Mercado financeiro é coisa séria. Investimento é coisa séria. Trata-se das economias das pessoas, recursos para a realização de projetos de vida, como a compra da casa própria e a aposentadoria. Quem tem como método enganar investidores com promessas impossíveis de ganhos mirabolantes não pode ser chamado de analista. É vendedor de óleo de cobra, comerciante de falsas esperanças, explorador dos sonhos alheios.

Como lidar com esse tipo de gente? Multas pesadas, banimento do mercado e, em caso de desvios reiterados, prisão. A economia popular agradece.