Boas notícias no campo econômico têm surgido aos montes nos últimos meses. O crescimento do PIB brasileiro nos dois primeiros trimestres do ano nada mais é do que um reflexo de uma supersafra agrícola, e também de aumentos de produção na indústria e de vendas no comércio.

Adicionalmente à maior atividade econômica, a inflação é hoje a mais baixa desde 1999 e a taxa básica de juros, a Selic, está caminhando para o menor patamar da história. O desemprego, que normalmente é a última variável a reagir num processo de retomada, também tem surpreendido positivamente, com a taxa recuando de 13,7%, no primeiro trimestre, para 12,6% no trimestre encerrado em agosto.

Mas em que velocidade se dará essa recuperação? Comentei no texto da edição de setembro que é o consumo das famílias que está fundamentando essa retomada. Primeiramente, tivemos o impacto importante da liberação das contas inativas do FGTS, que impulsionou o consumo no segundo trimestre. Na sequência, a queda da inflação já tem impactado a renda das famílias de forma significativa, e estamos começando a ver alguma retomada do emprego e do crédito, que deve ganhar impulso ao longo dos próximos meses.

A maior incerteza a colocar o investimento em compasso de espera são as eleições de 2018. Os candidatos que estão à frente nas pesquisas dizem que não vão dar sequência à agenda de reformas

De outro lado, os investimentos seguem contidos. As incertezas ainda são muito grandes, sobretudo no campo político e eleitoral, fazendo com que os investimentos não sejam retomados e implicando uma baixa velocidade à recuperação, fundamentada apenas em consumo.

Na política, tudo leva a crer que Michel Temer seguirá no cargo até o final de 2018. Entretanto, as constantes denúncias envolvendo o presidente e os principais ministros têm tomado tempo e esforços para a defesa, em detrimento do avanço de importantes temas da agenda econômica, como as reformas, em especial a previdenciária. Parte relevante dessa agenda foi cumprida mesmo num quadro político instável, como a reforma trabalhista e a aprovação da TJLP, mas o avanço poderia ter sido bem maior.

A maior incerteza a colocar o investimento em compasso de espera são as eleições de 2018. Hoje, os candidatos que estão à frente nas pesquisas dizem que não vão dar sequência à agenda de reformas, afirmando inclusive que vão reverter medidas da atual gestão.

Dessa forma, ainda que o consumo puxe a retomada, esta precisaria vir acompanhada de investimentos para chegar às projeções de crescimento de 3%, ou mais, feitas por alguns economistas. Avalio que o crescimento seguirá em ritmo lento, com um PIB pouco abaixo de 2% para o próximo ano. Já de 2019 em diante, se tivermos um presidente reformista, aí sim poderemos crescer com taxas que podem ser de 4% ou até mais.