A construção de uma economia de baixo carbono é o grande desafio internacional do século XXI. O histórico Acordo de Paris abriu o caminho, mas o mais importante está por vir: a transformação de intenções em realidade, e é isso que tem de merecer agora toda a nossa atenção.

Para travar as mudanças climáticas, necessitamos operar uma transformação profunda  nos modelos econômicos vigentes, e isso apenas pode ser feito com a ativa participação tanto do setor público como do privado. Temos de entender essa transformação não como uma lista de custos, mas como um manancial de oportunidades.

Foi essa a convicção que levou a União Europeia a promover recentemente em São Paulo o Fórum UE-Brasil de Negócios Verdes. Esse encontro reuniu durante dois dias uma centena de instituições brasileiras e europeias, com o objetivo de criar uma plataforma de diálogo entre a UE e o Brasil, juntando instituições financeiras, empresas e governo para discutir oportunidades concretas e metodologias para o financiamento de negócios verdes, a base da futura sustentabilidade das nossas economias. Abrimos caminhos para futuras atividades conjuntas.

Necessitamos operar uma transformação profunda nos modelos econômicos vigentes, e isso apenas pode ser feito com a ativa participação tanto do setor público como do privado

A União Europeia é o maior financiador mundial de ação contra as mudanças climáticas, com um investimento na ordem de € 20 bilhões em 2016, e neste mês de dezembro o Comissário Europeu do Clima, Miguel Arias Cañete, anunciou compromissos de mais € 9 bilhões para o futuro próximo. Essas verbas estão pensadas sobretudo para a criação de um ambiente favorável para que o setor privado possa também fazer a sua parte, agilizando financiamentos novos e criando soluções inovadoras, para que possamos todos atingir e superar as metas nacionais de sustentabilidade energética, gestão ambiental e redução de emissões de carbono.

O contributo europeu será para apoiar tecnologia inovadora, plataformas de cooperação, regulações e normas focadas em negócios verdes, mercados de capitais que operem bem, estruturas de governo adequadas com políticas que possam apoiar essas mudanças. Por sua vez, o Brasil está empenhado na criação de um ambiente propício para oportunidades de negócios verdes e para transitar para uma economia que usa recursos de uma forma sustentável.

A hora de mudar é agora, todos o sabemos. Precisamos acelerar a mudança da matriz energética mundial, superando a nossa dependência de combustíveis fósseis. A mobilização do setor privado para o cumprimento das nossas ambições é um ingrediente imprescindível, e assim é que os nossos esforços hoje vão sobretudo para esse objetivo. E nessa matéria, como em tantas outras, a União Europeia olha para o Brasil como um parceiro.

João Gomes Cravinho - Embaixador da União Europeia no Brasil