Investidores no mundo todo parecem estar apaixonados pelo bitcoin, a criptomoeda mais conhecida no mercado. Fundos de investimentos buscam participar desse mercado e entender mais sobre blockchain, a tecnologia que dá base à moeda. Pessoas físicas fazem cada vez mais suas apostas no novo produto. Bolsas de valores criam derivativos sobre o bitcoin. E, em meio ao frenesi do mercado, reguladores correm atrás para criar um ambiente seguro para investidores.

Em seu trabalho sobre crises financeiras, o economista Hyman Minsky identificou os estágios de uma bolha especulativa. Após um período inicial em que uma tecnologia é descoberta ou uma situação disruptiva (para usar uma palavra da moda) se apresenta, ocorre um boom nos preços de um ou mais ativos diretamente relacionados à novidade. Com a entrada de mais compradores, o ativo dispara de preço, refletindo a euforia do mercado e aumentando o distanciamento entre os negócios e a realidade econômica por trás do ativo. Em algum momento, alguns operadores mais atentos perceberão que é hora de fechar as posições em aberto e realizar lucros. Por fim, quando muitos investidores percebem que estão numa bolha, é tarde demais – e o pânico toma conta do mercado, derrubando o preço e destruindo fortunas.

As mais famosas e estudadas bolhas financeiras apresentaram padrão similar a esse. De uma maneira ou de outra, foi o caso da mania das tulipas holandesas no século XVII, da bolha da South Sea Company no século XVIII, do pânico de 1847 na Inglaterra, do crash de Wall Street em 1929 e da crise financeira de 2008, para ficar em alguns poucos (mas dolorosos) exemplos.

Quando muitos investidores percebem que estão numa bolha, é tarde demais e o pânico toma conta do mercado. Se a história tem algo a nos ensinar, a euforia com o bitcoin é prelúdio de uma implosão

Há indícios de que o bitcoin é mais um exemplo desse tipo de fenômeno. Desde o início de 2017, o seu preço já subiu incríveis 700%. Não há lastro em ativos ou moedas para ele – quem compra um bitcoin o faz pela expectativa de aumento de seu preço, e não por seu valor intrínseco (que é inexistente). Como uma moeda (ou como um ativo financeiro, para quem o considera assim), o bitcoin pode até ter o seu lugar no mercado. Mas, à cotação de cerca de R$ 24.000,00 por bitcoin, parece que preço e valor estão aqui cada vez mais dissociados.

O bitcoin ainda tem um bom caminho a percorrer para se mostrar como uma moeda viável – algo que possa ser utilizado no dia a dia como meio de troca e como reserva de valor. Mas a volatilidade e o comportamento apresentados por seu preço, ao menos até o momento, indicam fortemente que estamos assistindo à formação de uma clássica bolha especulativa. Será diferente desta vez?

Se a história financeira tem algo a nos ensinar, a euforia observada com o bitcoin é o prelúdio de uma espetacular implosão. Investidores devem ter muita cautela para que tudo não termine em lágrimas.