No início do mês de dezembro o IBGE divulgou o PIB do terceiro trimestre do ano e, como esperado, foi observado mais um crescimento trimestral, o terceiro consecutivo. A alta apresentada foi pequena, de apenas 0,15%, mas tem por trás uma boa composição quando analisada a sua abertura, indicando que a recuperação econômica está em curso, ainda que ocorra em velocidade aquém do que poderia ocorrer.

O crescimento ao longo deste ano está vindo depois de oito trimestres consecutivos de redução, quando tivemos uma retração acumulada de 7,8% para o PIB e de 9,0% para o consumo das famílias. A recuperação começou mais forte no primeiro trimestre do ano, com crescimento revisado para alta de 1,3% (de 1,0%), muito fundamentado pelo forte crescimento da safra agrícola, de quase 13% somente no primeiro trimestre.

O consumo vem sustentando a retomada, mas isso não está sendo acompanhado nos investimentos. A incerteza elevada trazida pelo processo eleitoral deve fazer com que estes sigam em compasso de espera, oscilando num patamar baixo

A partir do segundo trimestre o crescimento foi menor, porém mais disseminado. No segundo trimestre o crescimento de 0,7% do PIB foi puxado pelo consumo das famílias, de 1,2%. No terceiro trimestre repetimos a mesma alta de 1,2% para o consumo das famílias, apesar de alta de apenas 0,15% para o PIB. Ainda no terceiro trimestre, destaque para a alta de 1,6% para os investimentos, depois de queda acumulada de 30% desde meados de 2013. Do início do ano para cá, o acumulado do PIB já é de 2,1%, com recuperação de 2,6% para o consumo.

Assim, o consumo é que vem sustentando a retomada, mas determinado por fatores diferentes. No segundo trimestre do ano, a liberação dos quase R$ 45 bilhões das contas inativas do FGTS, dos quais algo entre R$ 12 e R$ 15 bilhões foram direcionados para consumo, puxou esse crescimento. Mas esse efeito não se mantém ao longo do tempo. A manutenção do ritmo do crescimento do consumo é explicada pelo forte crescimento da renda real, dado que a queda da inflação aumentou consideravelmente o poder de compra de salários que foram reajustados por uma inflação mais alta, mas também pelo início da recuperação do emprego e do crédito.

O consumo deve continuar liderando o processo de retomada, ainda que o crescimento da renda real se esgote nos próximos meses. A renda para de subir por conta da interrupção do processo de queda da inflação, que faz com que o poder de compra dos salários quase não aumente em 2018. O salário mínimo, por exemplo, deve ter um reajuste menor do que será a inflação de 2018, fazendo com que o seu poder de compra seja menor do que foi em 2017. De outro lado, o crescimento do emprego e uma retomada um pouco mais firme do crédito mais do que compensam esse efeito da renda.

Essa recuperação do consumo não está sendo acompanhada nos investimentos. A incerteza elevada trazida pelo processo eleitoral deve fazer com que os investimentos sigam em compasso de espera, oscilando num patamar baixo, e se recuperando com força somente depois das eleições, desde que um candidato reformista se torne o próximo presidente.