Qualquer empresa do setor de varejo foca seus investimentos e esforços nos produtos ou serviços que comercializa. É nele que o gestor concentra a expectativa de margens e fidelização de clientes. Neste contexto não se pode deixar de lado a relevância estratégica da expansão das redes varejistas, como medida para ampliar o volume de clientes e até a abrangência do negócio.

Para cuidar especificamente dessa questão, as cadeias de varejo abrigam internamente um departamento focado em projetos. Este departamento é responsável pela pesquisa de pontos viáveis para a instalação de novas lojas e assegura que cada novo ponto tenha todas as características da marca, tanto na comunicação visual como na apresentação física do local.

Esse departamento pode, em um primeiro momento, parecer menos sedutor, mas é altamente vital para operação, uma vez que precisa implantar a política do “mais por menos” em cada projeto elaborado. E como fazer isso, de forma ágil e precisa, sem deixar que a empresa perca o foco de negócios – que é exatamente o produto/serviço em si?

Hoje há várias ferramentas que podem ajudar os profissionais de projeto a otimizar custos ao planejar uma expansão, por meio da tecnologia. Primeiro porque, para achar o ponto ideal, precisa-se avaliar todos os detalhes referentes ao local: circulação, acesso, entorno, entre outros detalhes. Segundo porque, para cada loja construída, deve-se estimar com a maior precisão possível o custo da obra e o cronograma para que a mesma esteja pronta para receber o público no prazo desejado, algo vital para um segmento onde o timing é sempre crítico. E como fazer isso em uma escala agressiva?

Há alguns anos, o Brasil passou a adotar em obras de edificações a metodologia BIM, do inglês Building Information Modeling

Há alguns anos, o Brasil passou a adotar em obras de edificações a metodologia BIM, do inglês Building Information Modeling. Esta metodologia refere-se ao uso de modelos tridimensionais inteligentes para o planejamento detalhado de uma obra, que utiliza hardware, software, processos e pessoas treinadas para possibilitar melhor qualidade e precisão desde o cronograma de obra até o volume de material para uma construção, seja ela uma residência ou um complexo projeto de infraestrutura, como rodovias ou aeroportos, por exemplo.

Com a maturidade da adoção do BIM, começamos a notar que o setor de varejo passa a perceber que esse tipo de processo pode ser essencial para que seus objetivos de negócio sejam alcançados e maximizados, impactando diretamente nos ganhos da rede. É fácil entender, com uma padronização de projetos e previsão de orçamento precisos, a conexão com a obra em tempo real, ou seja, uma boa gestão de obra traz um ganho imenso. E é conexão e transparência que a adoção do BIM promove ao departamento.

O exemplo de sucesso nós percebemos claramente pelo aumento da adoção dessa metodologia em diferentes lugares do mundo. É possível medir quantitativamente os benefícios a que se propõe. Para citarmos alguns números, diversas fontes internacionais apontam reduções no tempo de desenvolvimento de projetos em torno de 40%, reduções no tempo de desenvolvimento de orçamentos em torno de 80% e reduções em custos de obras em torno de 15%.
Agora, imagine: quanto esses dados poderiam impactar um plano de expansão agressivo?

Isso sem contar que o BIM acaba gerando uma biblioteca de dados que pode ser replicada em diversos projetos, facilitando e assegurando a implantação de padrões que uma determinada marca possui. 

Por isso vale reforçar que os gestores de cadeias de varejo devem olhar com atenção para as inovações tecnológicas que contribuem para a otimização da área de projetos. No final, os ganhos serão de todos – clientes, fornecedores e do negócio. 

Ricardo Bianca de Mello - especialista técnico sênior do setor de AEC da Autodesk