Mais um período eleitoral vai chegando ao seu final e a sociedade vai coletivamente escolhendo o que quer para o seu futuro próximo. Os temas de economia seguem dominando parte do debate entre candidatos, especialistas e diletantes, oferecendo mais uma avenida para a demonstração de polarização que passou a fazer parte do cotidiano de todos os brasileiros. Dentre os temas sujeitos a discussões apaixonadas está a privatização de empresas estatais. Três motivos principais levam-me a entender que a privatização dessas empresas será essencial para que tenhamos no Brasil um Estado eficiente.

Primeiro, tornou-se fato notório para os brasileiros, ao longo das últimas décadas, que as empresas estatais constituem exemplo de má gestão corporativa. Em seu conjunto, as mais de 150 empresas estatais frequentemente operam no prejuízo, e a conta é paga pelo Tesouro Nacional – ou seja, por nós, contribuintes. Seus empregados somente podem ser demitidos por justa causa, isto é, contam com uma estabilidade que não existe na iniciativa privada. Não há os incentivos para uma gestão eficiente e orientada para resultados como aqueles que existem no setor privado. Grassam exemplos de descaso, burocracia e baixa qualidade de serviços.

Segundo, a privatização das estatais permitirá que o foco do Estado seja redirecionado para o que interessa à sociedade brasileira: o provimento de serviços como segurança pública, defesa nacional, saúde e educação básicas. Atividades como telefonia, geração e distribuição de eletricidade, refino de petróleo e serviços financeiros devem ser deixadas a cargo de empreendedores, que terão a satisfação do consumidor como incentivo primordial para a entrega de bons serviços, sob pena de amargarem prejuízos. Além disso, o papel do Estado como regulador de serviços deve ser aprofundado.

Terceiro, e talvez mais importante: com a retirada de empresas estatais da esfera de influência da classe política, haverá expressiva redução nas práticas de corrupção dos agentes públicos. Será o fim do loteamento de cargos que ocorre nas estatais e que trouxe prejuízos enormes para o Brasil ao longo de boa parte da última década e meia. Exemplos do socialismo de compadrio praticado no Brasil e de seus efeitos deletérios são inúmeros. A privatização de estatais fará minguar as oportunidades de pilhagem de empresas por qualquer governo corrupto de plantão.

Muito mais do que um exercício de geração de caixa para a redução do déficit fiscal que nos assola neste momento, a privatização das estatais promoverá a inserção dessas empresas no mundo real. É o mundo da competição, da possibilidade de prejuízos que não podem ser socializados e da eventual perda de consumidores em caso de baixa qualidade dos serviços. Petrobras, Eletrobrás e Caixa Econômica Federal são excelentes candidatas a deixarem o portfólio da viúva. Uma boa dose de realidade para quem vive em uma bolha protegida pelo Estado não fará mal ao Brasil.

As opiniões apresentadas nesta coluna não representam, necessariamente, a visão das entidades às quais o autor está associado.