Durante o evento eMerge Américas, a principal conferência de tecnologia em Miami, fui questionado se os empreendedores de mercados emergentes conseguem realmente tirar proveito da Quarta Revolução Industrial ou 4IR (na sigla em inglês). Minha resposta, como era de se esperar, foi que sim. Mas me animou que tenham me perguntado, pois assim pude esclarecer muitos conceitos errados que estão associados aos empreendedores de mercados emergentes e o que podem fazer para aproveitar as tecnologias para expandir seus negócios.

Primeiro, vamos esclarecer o que é realmente a 4IR.

A Quarta Revolução Industrial traz consigo avanços que fazem desaparecer as diferenças entre homem e máquina, a tecnologia e o mundo físico. É a nova tendência sobre o que podemos fazer com as últimas tecnologias e a infinidade de possibilidades no futuro.

O fato de que agora falamos de robôs fazendo tarefas cotidianas, automóveis autônomos, máquinas se comunicando com outras, a possibilidade de imprimir objetos funcionais em 3D, software de previsão de criminalidade e sensores que avisam sobre os reparos necessários em uma fábrica, significa que não deve nos surpreender que estamos em uma nova era.

Essa revolução está criando oportunidades nunca antes vistas. Como empreendedores, o desafio é encontrar uma maneira de prosperar neste novo contexto.

Estão surgindo novas fontes de lucro à medida que as empresas encontram formas inovadoras de ajudar seus clientes. Tomemos como exemplo o intercâmbio entre usuários (peer-to-peer), o modelo de negócio utilizado por empresas como Uber e Airbnb. Essas duas empresas encontraram maneiras de usar tecnologias digitais para entrar nas indústrias tradicionais e não só obter benefícios para eles mesmos, como também criar oportunidades de negócios e receita para gente comum. Agora é possível para todos nós alugar nossa cara para ter uma renda extra, ou trabalhar como motoristas em nosso tempo livre.

Nos mercados emergentes, onde opera a Tigo, agora estamos vendo e habilitando características similares às dos mercados desenvolvidos: redes de banda larga de alta velocidade, redes móveis de nova geração 4G, infraestrutura informática moderna e centros de dados que permitem às empresas operar com menos capital. Isso melhora as possibilidades para as empresas e empreendedores de ter um grande sucesso, ou que ao menos o seu negócio seja rentável.

Como empreendedor nesta nova era, a primeira coisa que devem fazer é o que os empresários têm feito sempre: trabalhar duro, seguir aprendendo e estar disposto a se levantar novamente após fracassos e dificuldades.

Além disso, a 4IR exige novas habilidades e muita colaboração.

Atualmente, os empreendedores dos mercados emergentes podem evoluir no mesmo nível que seus colegas do mundo desenvolvido porque já não são uma versão antiga ou estão muito mais atrasados em termos de tecnologia.

Com essas rodovias digitais, quem antes estava excluído destas inovações pode tentar construir seus próprios negócios e contribuir para transformar o mundo. Depende de todos nós que isso ocorra para que os empreendedores dos mercados emergentes possam prosperar tanto dentro de suas comunidades como além de suas fronteiras.

* Mauricio Ramos é CEO da Millicom (um provedor de banda larga via cabo e móvel) e um especialista/entusiasta do estilo de vida baseado nas facilidades do mundo digital, assim como em tecnologia financeira móvel e em serviços business-to-business (B2B) nos mercados emergentes da África e na América Latina através de sua marca Tigo.