Se já não bastasse uma recuperação bastante gradual da economia brasileira, confirmada pelos números do PIB do primeiro trimestre, que mostrou alta de apenas 0,4% em relação ao último trimestre de 2017, o protesto dos caminhoneiros na segunda quinzena de maio vai deixar seus impactos sobre a economia. Em termos de atividade econômica, parte do que seria produzido e transacionado nos dez dias de manifestações foi perdido, reduzindo ainda mais o crescimento econômico deste ano, que estava migrando para perto de 2% e agora vai convergir para um número ainda mais baixo.

As estimativas da 4E para o impacto econômico permanente da paralisação dos caminhoneiros são de 0,45 ponto de porcentagem do PIB, ou R$ 30,5 bilhões em valores monetários. As perdas foram maiores no setor agropecuário, na indústria de alimentos e em alguns segmentos de serviços. Nos dias de greve, o impacto sobre a economia foi ainda maior, mas parte disso se recupera com aumento de produção nos meses seguintes. Assim, o desempenho do PIB no segundo trimestre deve ser pífio. A 4E reestimou o crescimento no segundo trimestre de 0,9% para 0,1%. Para o ano, o impacto da greve levou a projeção do PIB de 1,9% para 1,4%.

Tivemos também impactos em preços. Durante os dias de paralisação, vários alimentos tiveram seus preços majorados em função do desabastecimento. A batata e o tomate foram alguns dos destaques, com aumentos que passaram dos 200% ou até 300% em algumas localidades. Nesse ponto o impacto é apenas temporário. Com a normalização das entregas os preços voltarão aos seus patamares anteriores, com elevação na inflação de maio e possivelmente junho, e devolução nos meses à frente. No ano o impacto será próximo de zero.

"Parte do que seria produzido e transacionado nos dez dias de manifestações foi perdido, reduzindo o crescimento econômico deste ano, que estava migrando para perto de 2% e agora vai convergir para um número ainda mais baixo"

Há também o impacto sobre as contas públicas. Não somente a menor atividade econômica reduzirá a arrecadação do governo, algo ao redor de R$ 10,5 bilhões, mas as concessões aos caminhoneiros custarão cerca de R$ 10 bilhões por ano ou mais, em estimativas ainda preliminares. Parte disso é despesa realocada, parte é tributação em outros setores, como a reoneração da folha de pagamentos, e parte será traduzida em maior déficit primário. Como se diz em economia, nada é de graça.

Por fim, a recente crise também terá impacto nas eleições. O governo subestimou o movimento, respondeu de forma confusa, decretou sem sucesso e por mais de uma vez o fim da greve e ainda perdeu Pedro Parente da presidência da Petrobras. O atual governo sai menor do recente episódio, e candidaturas de centro, com ou sem apoio do MDB, seguirão enfrentando dificuldades. O movimento acaba favorecendo candidaturas de extremos, como de Bolsonaro e dos candidatos de esquerda. E quanto mais incerta a eleição, maior a volatilidade de ativos financeiros, como câmbio e Bolsa, e menor o crescimento econômico.