Como economista e profissional de finanças, cada vez mais me convenço de que o caminho para um futuro melhor para a sociedade brasileira passa pela elevação do nível de educação financeira dos cidadãos. Fico feliz em ver que, ao longo dos últimos anos, os esforços nesse sentido têm vindo de fontes variadas: governo, associações, instituições financeiras e instituições de ensino.

Dados do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) indicam que, na última Semana Nacional de Educação Financeira, realizada em maio passado, mais de quatro milhões de brasileiros foram alcançados, em todas as unidades da federação. Finanças pessoais, previdência e equilíbrio na relação com o dinheiro foram alguns dos temas principais.

É preciso, contudo, avançar muito mais. A formação que oferecemos aos jovens no ensino médio, por exemplo, carece de foco em temas que os preparem para a vida adulta. Como lidar com aspectos práticos relacionados a questões como inflação, segurança financeira e endividamento? É assustador o número de jovens que fazem pouca ou nenhuma ideia sobre os elementos mais básicos desses temas (pergunte ao adolescente mais próximo).

Na população brasileira em geral, o nível de conhecimento sobre investimentos e aposentadoria é bastante baixo. Temos 28 milhões de pessoas físicas pagadoras de imposto de renda, mas apenas pouco mais de 600 mil pessoas que investem na bolsa de valores. Mesmo dentre aqueles que têm acesso a produtos e serviços financeiros, poucos são os que conhecem as taxas de administração cobradas nos fundos de investimento ou nos planos de previdência em que guardam suas economias. Num ambiente de taxas de juros historicamente mais baixas, o incentivo à poupança naturalmente tem se reduzido.

Temas sobre finanças públicas, então, são tipicamente os que mais causam perplexidade para os não iniciados. Há uma compreensão muito rudimentar sobre a situação econômica do setor público e a importância de cortar gastos e aumentar receitas, mesmo que esses conceitos sejam bastante similares àqueles aplicados nas finanças domésticas das famílias. Não tem ajudado o fato de que as finanças públicas tenham sido, em grande parte, geridas por pessoas que volta e meia se veem envolvidos no noticiário político-policial – o que gera ojeriza ao tema.

Os resultados da Semana de Educação Financeira 2018 são encorajadores, e é reconfortante ver que essa é uma iniciativa de longo prazo que deve perdurar por muitos anos, com a participação de centenas de instituições da sociedade civil. A entrada de disciplinas de economia e finanças na grade curricular do ensino médio brasileiro será outro avanço crucial para formarmos novas gerações que tenham uma relação saudável com o dinheiro – mas ainda estamos distantes desse objetivo.

Uma coisa é certa: somente com maior educação financeira seremos capazes de planejar melhor nosso futuro como indivíduos, como famílias e como nação.

 

As opiniões apresentadas nesta coluna não representam, necessariamente, a visão das entidades às quais o autor está associado.