Após as recentes transformações no cenário político e econômico do Brasil, a chegada de um ano eleitoral traz consigo expectativas e uma série de especulações a respeito dos novos rumos do país, dos investimentos e iniciativas que poderão ser realizadas – ou descontinuadas – em diferentes segmentos que movimentam a economia nacional. 

Quando entramos neste terreno especulativo, certamente, é importante refletir sobre o futuro do mercado de comércio exterior, o qual, como vimos no último ano, é fundamental para o crescimento econômico do país. 

Vale lembrar que as exportações nacionais foram um dos motores que fizeram o PIB crescer, ainda que timidamente, em 2017, após dois anos seguidos de recessão. 

Fazendo uma retrospectiva sobre 2017 e o primeiro semestre de 2018, fato é que, mesmo com percalços, no plano econômico, tivemos avanços importantes como o controle do ritmo inflacionário, queda dos juros e um ganho mais significativo de segurança para investimentos, fatores positivos que trouxeram relativa estabilidade para os próximos anos.

Em relação ao Comércio Exterior, temos vivenciado um importante movimento de reformas e mudança de mentalidade de órgãos aduaneiros, com destaque óbvio para o Portal Único do Comércio e as expectativas quanto aos novos processos de exportação e importação, capazes de gerar ganhos para as empresas, sobretudo quando pensamos na competitividade do país dentro do cenário global do comércio internacional. 

Mas, com o período de eleições cada vez mais iminente, precisamos refletir sobre alguns eixos que devem ser continuados, de modo que este movimento de mudança de mentalidade no comércio exterior - tão positivo para o país -, não fique estagnado ou mesmo regrida.

Pela continuidade do processo de modernização 

Durante muitos anos, um dos maiores obstáculos para o comércio exterior brasileiro foi a falta de modernização dos processos e sistemas que gerenciam as rotinas - tanto do ponto de vista fiscal quanto logístico -, das exportações e importações brasileiras. 

Se as empresas sempre buscaram superar estes desafios, seja por meio de investimentos próprios em inovação, capazes de otimizar processos operacionais ou mesmo pela busca de alternativas para a redução do Custo-Brasil, ao longo dos últimos anos, o Governo Federal também vem buscando se alinhar com essa busca pela transformação do comércio exterior no país. 

Neste sentido, iniciativas importantes como a continuidade das etapas do Portal Único do Comércio Exterior, dos novos processos de Importação e Exportação – que já começam a gerar resultados mais concretos como a Declaração Única de Exportação e a difusão da LPCO –, as discussões sobre a implantação do gerenciamento de riscos na Anvisa e em outros órgãos anuentes; todos estes movimentos serão fundamentais, a curto, médio e longo prazo para o país, e devem, impreterivelmente, ser continuados, independentemente dos líderes que conduzirão os interesses nacionais nos próximos 4 anos.  

 A questão da infraestrutura

No plano da infraestrutura, temos uma série de problemas que precisarão de atenção e investimentos se quisermos, de fato, assumir um papel de protagonismo no comércio internacional. Primeiramente, é importante diminuirmos nossa dependência da malha rodoviária. 

Vale reforçar que conjunto de vias terrestres do país tem sérios desafios que comprometem as possibilidades de transporte rápido e seguro exigido pelas importadoras e pelo mercado de comércio exterior como um todo.

Uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional do Transporte, por exemplo, mostrou que apenas 12% das rodovias nacionais são pavimentadas e, deste percentual, 44,7% apresentam desgastes que interferem decisivamente na qualidade destas vias. 
Logo, é possível perceber que depender em demasia da malha viária – que, por si só, necessita de investimentos –, é uma alternativa extremamente limitadora para um mercado tão dinâmico quanto o do comércio exterior. 

Neste sentido, o próximo governo tem de se manifestar proativa nos investimentos em infraestrutura portuária e também ferroviária. Tal postura será crucial para o escoamento da nossa produção e para viabilizar o comércio de forma geral. Esse investimento deve vir em conjunto com a continuidade dos processos de simplificação dos sistemas e da logística que viabiliza as importações, exportações e o desembaraço aduaneiro.

A abertura para diálogos, acordos e a diminuição da carga tributária

Finalmente, penso que o próximo governo deve assumir um papel incisivo na busca por diálogos que efetivem ou façam avançar acordos de cooperação, visando aprofundar relações comerciais com outras nações, ação esta, indispensável para o crescimento econômico do país. 

É preciso também considerar a redução da carga tributária que também recai sobre os processos de importação e exportação, carga esta que, em sua atual conjuntura, reduz consideravelmente nosso potencial de competividade.

A busca por protagonismo

Potencial não nos falta para assumirmos um papel de protagonista no comércio internacional. Se os próximos governantes forem capazes de fazer caminhar os 4 pilares aqui discutidos – modernização de processos, investimentos em infraestrutura, busca por acordos comerciais e redução da carga tributária –, temos plenas condições de deixarmos de ser uma promessa e emergirmos com uma potência global.

Para tanto, é necessário que as políticas públicas para o comércio exterior foquem, não em agendas ideológicas ou interesses político-partidários, mas em uma visão que una empresas e governo em prol do crescimento do país.

André Barros é diretor de produtos do Grupo Cassis