Quando você empreende, é porque uma ideia lhe despertou algo... Uma possibilidade de independência, de realização profissional, de lucrar, de mudar uma situação atual...

Você pode empreender de forma estruturada e profissional se já é sênior e conhece muito bem o que vem pela frente.

Ou pode empreender como um sonhador, otimista, no desconhecido e tratando a cada momento o que vai acontecendo.

É nesse modelo, dos sonhadores que acreditam, que vou me aprofundar, pois são estes que geraram grandes ideias, conhecimentos, crescimentos e inovações.

No Brasil, se o sonhador mapeasse com antecedência a complexidade fiscal, trabalhista, logística, jurídica e política, sequer daria o próximo passo. Chamarei isso tudo de “bicho papão”.

Nesse modelo, você começa, aloca toda a sua energia no core business do negócio e avança. Quando percebe, a coisa já está andando, começa a dar certo e você acha que o “bicho papão” ainda não é com você – e continua avançando.

O ser humano pode ir longe demais, pode ser louco e pode ser sábio. O desafio é descobrir como demarcar limites.

Aí você cresce, se estrutura, se relaciona, se conecta no mundo do seu negócio, e aos poucos começa a entender que chegou a hora de se defender do “bicho papão”. De tudo aquilo que pode lhe causar desânimo e paralisação.

Sua escolha não foi consciente. Depois que decidiu, você pode até atribuir uma lógica, uma razão, mas o que importa é descobrir o que sua opção revela sobre o que você valoriza.

Ah! Quantos consultores, palestras, conselhos duvidosos em sua intenção você recebe e percebe que esse monstro lhe atrapalha, tirando a sua energia do melhor.

Agora você passa para o mecanismo de defesa: a protelação. O tamanho e a influência dos males atrapalham e inibem o seu sonho e sua energia.

Quem sabe o “bicho papão” não permita a continuidade de sua empresa; talvez você seja forçado a abandonar a luta e seja um a menos no front de que nosso país tanto precisa.

Talvez você apenas reduza sua exposição empresarial e sobreviva, mas o nosso país deixa de se beneficiar de sua energia inteligente, que se torna dispersa.

Mas, como é um sonhador, você não se revolta! Você intui que quando nasceu ganhou uma única coisa de presente: tempo! Podem ser apenas alguns segundos, ou mais de um século.

O que fazer para preencher o seu tempo de vida? Quando ainda criança, o próprio crescer e se desenvolver é um afazer que ocupou o seu tempo. E depois? Você tem que se fazer, tem que empreender.

A felicidade muda de época para época durante toda a sua existência, num processo interminável de buscar ser o que verdadeiramente você é.

O mecanismo de sua vida, o desconhecido e a sua sorte ditarão o próximo capítulo.

 

A autora é psicanalista