A 4ª Revolução Industrial encontra-se em pleno curso, trazendo profundas mutações para o convívio. A inteligência artificial facilita a consecução de objetivos tradicionalmente confiados à mecânica dos seres humanos. A robótica assume tarefas automáticas e elimina a reiteração de gestos até ontem considerados normais na rotina laboral. A internet das coisas customiza o consumo e responde a especificidades que afrontam a tendência à padronização.

Tudo está sendo revisitado e quase tudo reinventado. Para perplexidade do bicho-homem, imerso na voragem e destituído de condições de sair do turbilhão cuja velocidade alucina.

O conhecimento é o capital da vez e duplica a cada dezoito meses, tendendo a reduzir ainda mais esse lapso, tamanha a produção diuturna de informações. Um dos desafios da neurociência é justamente antever as consequências da carga pesada de dados que o cérebro tem de assimilar, filtrar, arquivar na memória e dela extrair quando necessário.

O atual modelo de formação talvez não sobreviva nas próximas décadas. Jovens criativos e engenhosos já criaram startups jurídicas e conseguem solucionar questões com eficiência superior a convencional

O cenário é ainda mais tumultuado quando se sabe que a instantaneidade na comunicação garante a imediata disseminação de notícias, mensagens, fotos e clips para milhões de destinatários. Dois grandes gigantes monopolizam esse tráfego: o veiculador Facebook e o buscador Google.

Consta que o Brasil possui mais de duzentos milhões de mobiles, o que significa a posse de mais de um aparelho por pessoa. Os indivíduos desconectados são, em geral, os idosos que não quiseram adentrar às redes e os moradores nos grotões rurais que se esvaziam diante da crescente urbanização do Brasil.

Para administrar a vida de plena conectividade nesta era irreversível, a educação precisa ser reinventada. A lucidez planetária se dedica a essa missão, e muito já se fez em várias partes do planeta.

Ainda não se verifica idêntica preocupação no desmesurado universo da formação jurídica. A maior parte das escolas de Direito continua a oferecer o tradicional cardápio de um bacharelado em quase tudo preservador do modelo coimbrão. Disciplinas compartimentadas, nenhuma interdisciplinaridade, foco no processo e a judicialização como alternativa para a solução dos conflitos.

Esse modelo talvez não sobreviva nas próximas décadas. Jovens criativos e engenhosos já criaram startups jurídicas e conseguem solucionar questões de direito com eficiência e celeridade superior a convencional. O uso do algoritmo permite o cálculo de previsões que, devidamente levado em consideração, obvia novas demandas.

O surgimento das fake news coloca à mesa uma questão bastante séria: o que são notícias fraudulentas? Há uma enorme gama de possibilidades e de gradações. Para tipificar essas condutas, o direito ainda não atentou. Nem levou a sério a longeva advertência da economia, que enxerga na judicialização nocivo desperdício de tempo e de dinheiro, além de afastar o investimento externo, cuja necessidade à recuperação do desenvolvimento é a cada dia mais premente.

Há muito a ser feito, portanto. Quem se habilita?