Novembro, mês da COP23: a comunidade internacional que defende o equilíbrio socioeconômico-ambiental se reuniu em Bonn, na Alemanha, para a 23ª conferência do clima realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Se essa conferência trará resultados positivos, ainda não sabemos. Tradicionalmente, temos tido um ano com uma reunião de sucesso e outra mais apagada na edição seguinte. Teoricamente, a deste ano deverá ser de sucesso. Mas, como sabemos, os Estados Unidos de Trump não estiveram presentes. Muito embora isso inicialmente tenha sido um choque, vemos que serviu para unir mais o restante dos países, que ficaram, agora, sob a liderança da China.

E por falar em China, o país está dando bons exemplos na contenção da emissão de carbono. A administração central de energia chinesa anunciou planos de investimentos na região sul – leia-se Guangdong, Hong Kong e Macau – de US$ 360 bilhões até 2020 em energias renováveis para a região, além de adiar projetos de 85 geradoras a carvão. Chairman Xi está comprometido em liderar a sustentabilidade do planeta.

Falando em energia limpa, não poderia deixar de citar um trecho do livro Disrupção limpa da energia e do transporte, de Tony Seba, professor da Universidade de Stanford, que diz: “A idade da pedra não acabou porque a humanidade encontrou-se sem pedras” – na verdade, foi concluída porque as rochas foram substituídas por uma tecnologia superior: o bronze. As pedras não desapareceram, só se tornaram obsoletas.

A era das fontes de energia provenientes de extração de recursos como petróleo e gás chegará ao fim porque esse modelo de negócios será substituído por tecnologias superiores e novos produtos

A idade das carroças e dos cavalos terminou não porque foram abolidos os cavalos, mas porque eles foram substituídos por tecnologia superior: o motor a combustão interna, um modelo inovador próprio do século XX. Os cavalos não desapareceram; só se tornaram obsoletos para um sistema de transporte de massa.

A era das fontes de energia centralizadas, sistematicamente controladas e provenientes de extração de recursos naturais (petróleo, gás e fontes de energia nuclear) não chegará ao fim por falta de petróleo, gás e urânio. Essa era terminará porque as fontes de energia, os modelos de negócios que elas utilizam e os produtos que suportam essas indústrias serão substituídos por tecnologias superiores, novos produtos e modelos de negócios inovadores. Novas tecnologias atraentes, como energia solar e eólica e veículos elétricos e autônomos, permitirão mudar a indústria da energia que conhecemos hoje.

Os mesmos ecossistemas do Vale do Silício californiano que criaram a tecnologia baseada em bits e que substituíram a indústria fundamentada em átomos estão criando tecnologias na base de bits e elétrons para substituir essa indústria de energia baseada em átomos. O professor Seba tem estudado as tecnologias disruptivas nos últimos dez anos; portanto, fiquemos atentos aos seus prognósticos.

Já o investidor e cientista americano Bill Joy preconiza dois dos maiores desafios da indústria chamada cleantech (de tecnologias limpas). A primeira é produzir baterias radicalmente baratas. Joy diz que elas chegarão por meio das novas tecnologias de baterias alcalinas que utilizarão abundantes materiais como zinco, alumínio e magnésio, e serão bem mais baratas que as baseadas em lítio.

Outro desafio apontado pelo cientista americano é o de produzir materiais sustentáveis para a indústria da construção. Joy aproveita também para anunciar um novo tipo de cimento que utiliza muito menos energia (cerca de 30%) para sua fabricação e que, para a fabricação do concreto, não usa água e absorve carbono. Que seja muito bem-vindo o cimento solidia.

Sinceramente, acredito que essas notícias são muito mais alvissareiras do que as oriundas da COP23, muito embora a torcida seja grande para que todos os países continuem unidos na busca da estabilidade do clima terrestre.

Em terras tupiniquins também temos alguns ventos auspiciosos. O novo modelo do sistema elétrico brasileiro, que o Ministério de Minas e Energia poderá apresentar em breve, deverá contemplar avanços para a geração distribuída, o tipo de geração que o professor Seba indica como disruptor do modelo centralizado preponderante hoje. Aguardemos.

Já em terras paulistas, depois de longos seis anos de muito trabalho de uma equipe determinada, finalmente o tucano Geraldo Alckmin assinou o decreto do novo zoneamento econômico-ecológico do litoral Norte paulista. Uma vitória para a manutenção dos remanescentes da Mata Atlântica paulista. Kudos ao governador!