Em tempos de policrise, como esta que ora atravessamos, a esperança reside nas comunidades menores. A vida cidadã não precisa, necessariamente, ser afetada de tal forma que paralise a rotina das cidades. Nestas é que as coisas acontecem e precisam continuar a acontecer. Os municípios brasileiros constituem exemplo exitoso de protagonismo.

Até mesmo analistas estrangeiros, quando observam a situação brasileira, assinalam que a retomada do desenvolvimento virá dos municípios. Explorar a vocação local ou regional, consorciar-se, adotar estratégias de sobrevivência digna e blindar suas fronteiras de tal forma que os munícipes se conheçam e se auxiliem, cooperando entre si até que o Brasil melhore, é a alternativa ao desalento.

Um grande papel está reservado aos prefeitos, muitos dos quais herdaram pesados ônus de seus antecessores. As Câmaras Municipais precisam participar da gestão, auxiliando o Executivo, fiscalizando, assumindo papel importante na qualificação do governo.

Até mesmo analistas estrangeiros, quando observam a situação brasileira, assinalam que a retomada do desenvolvimento virá dos municípios

O terceiro setor em uma cidade é um motor de propulsão do dinamismo e do progresso. Hoje, é a sociedade que vai à luta, gradualmente a implementar a democracia participativa, já que a representação está com fissuras lastimáveis.

Os jovens são chamados a um protagonismo essencial. A formação de novas lideranças começa na escola, na disputa das eleições de um grêmio estudantil, espraia-se na filiação partidária e na aproximação com as Câmaras Municipais e Prefeituras.

As lideranças citadinas são chamadas a fazer valer o federalismo sui generis que se adotou no Brasil, a partir de 5 de outubro de 1988. Se o município foi convertido numa entidade federativa, ele também merece lugar mais nobre na distribuição de ônus e de bônus desse convívio colegiado.

É na cidade que as coisas acontecem. Sempre é oportuno lembrar Franco Montoro: “Ninguém nasce na União, nem no Estado. As pessoas nascem na cidade”.

Aos 16 anos, o jovem pode mudar o destino de sua cidade, de seu Estado e do Brasil. É urgente dotá-lo de consciência cidadã, municiá-lo de um capital ético suficientemente consistente para interferir, de forma positiva, na condução das políticas públicas.

O município é a Escola de Cidadania já pronta e acabada, que só está a necessitar de um despertar de seus próceres, para de fato mudar o Brasil.